As células “imortais” de Henrietta Lacks
À primeira vista, foi um incidente trágico, aparentemente sem nada de especial. Em 1951, uma mulher de 31 anos, mãe de cinco filhos, que se queixava de sangramento ginecológico, procurou o Hospital Johns Hopkins, um dos poucos hospitais que atendiam afro-americanos de baixa renda. Henrietta Lacks foi logo diagnosticada com câncer cervical e tratada com rádio. Ela morreu oito meses depois, apenas mais uma vítima de uma doença que ainda mata centenas de milhares de pessoas a cada ano somente nos Estados Unidos.
Mas, de uma forma surpreendente, Lacks continuou viva…
Embora seja ilegal hoje, na época de Lacks, não era necessária permissão para obter amostras de células. Assim, sem que ela soubesse, “uma amostra de suas células cancerosas, retirada durante uma biópsia, foi enviada ao laboratório de tecidos do Dr. George Gey, localizado nas proximidades. Durante anos, o Dr. Gey, um proeminente pesquisador de câncer e vírus, vinha coletando células de todas as pacientes — independentemente de sua raça ou condição socioeconômica — que chegavam ao Hospital Johns Hopkins com câncer cervical.”
E Gey descobriu que, enquanto todas as outras amostras levadas ao seu laboratório morriam em poucos dias, as de Henrietta Lacks não. Em vez disso, elas “dobravam a cada 20 a 24 horas”, uma taxa anormalmente rápida mesmo para células cancerosas. Essas células continuam se multiplicando até hoje. Conforme relatou a Newsweek, “suas células foram usadas para criar a primeira linhagem celular humana imortal, conhecida como células HeLa, em homenagem ao seu nome e sobrenome. Ao longo das últimas sete décadas, as células HeLa contribuíram para cerca de 70.000 estudos científicos, salvando milhões de vidas.”
O Processo
Com o passar dos anos, os cinco filhos de Lacks cresceram e constituíram suas próprias famílias. Em 1973, os membros da família começaram repentinamente a ser solicitados a fornecer amostras de sangue por cientistas que investigavam mais a fundo seus genes; e, eventualmente, a família descobriu o que havia acontecido com as células de sua matriarca.
A notoriedade póstuma de Lacks continuou a crescer com a publicação, em 2010, de *The Immortal Life of Henrietta Lacks*, um livro de não ficção de Rebecca Skloot que foi lançado com aclamação da crítica e recebeu inúmeros prêmios. Ele permaneceu na lista de best-sellers do *New York Times* por 75 semanas consecutivas e também foi adaptado para um telefilme estrelado por Oprah Winfrey.
Então, em 2021, a família de Lacks processou a Thermo Fisher Scientific Inc., uma empresa de biotecnologia da Fortune 500 com receita de US$ 44 bilhões que obteve lucros enormes com as células HeLa. De acordo com a Associated Press, “a Thermo Fisher argumentou que o caso deveria ser indeferido porque foi ajuizado após o prazo de prescrição ter expirado. Mas os advogados da família Lacks afirmaram que isso não deveria se aplicar, pois a empresa continua se beneficiando”.
Dois anos depois, na segunda-feira, 1º de agosto — aniversário de Lacks —, as duas partes chegaram a um acordo extrajudicial cujos termos não foram divulgados. De acordo com declarações públicas, ambos os lados estão satisfeitos em deixar a controvérsia para trás.
Quanto à Johns Hopkins, um artigo em seu site reconhece o papel que desempenhou, admitindo que “poderia ter — e deveria ter — feito mais para informar e trabalhar com os membros da família de Henrietta Lacks, por respeito a eles, à sua privacidade e aos seus interesses pessoais”, ao mesmo tempo em que enfatiza que “nunca vendeu nem lucrou com a descoberta ou distribuição das células HeLa e não detém os direitos sobre a linhagem celular HeLa. Em vez disso, a Johns Hopkins ofereceu as células HeLa de forma gratuita e ampla para pesquisa científica.”
Vida Eterna
O legado de Lacks continua até hoje. No entanto, não importa quantas pessoas as células HeLa ajudem, não importa quantas vidas elas prolonguem, elas não podem impedir a morte. Essas células “imortais” não proporcionam a imortalidade. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Portanto, assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e a morte por meio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12).
Em cada um de nós está o conhecimento de que há algo mais na vida do que apenas esta existência curta e pecaminosa.
No entanto, muitos não sabem que, na verdade, temos a oportunidade de escapar da morte. Eles ignoram o fato de que somente pelo sangue de Jesus Cristo recuperamos a vida eterna para a qual fomos destinados (Atos 4:12). Esta é a promessa repetida várias vezes nas Escrituras:
“Todo aquele que vê o Filho e crê nele terá a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:40).
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (3:16).
“E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna” (1 João 2:25).
No fim do mundo, Jesus “colocará todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Coríntios 15:25, 26). E, finalmente, Ele dará a todos os que crêem nele o dom prometido da vida eterna. Para compreender verdadeiramente este belo dom de e em Jesus, acesse nosso estudo“Conheça Jesus”.
Sem dúvida, as células de Henrietta Lacks fizeram e continuam fazendo muito bem. Mas, no fim das contas, o que realmente precisamos é de Jesus, pois Ele é “a vida” (João 14:6).
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