Deuses Humanos: O jogo em que você interpreta Jesus Cristo
Não é preciso adivinhar a ideia por trás de“I Am Jesus Christ”, um videogame em primeira pessoa que será lançado bem a tempo para o Natal de 2022.
O jogador pode assumir o papel de Jesus Cristo em uma recriação da vida do Salvador na Terra, até Sua crucificação e ressurreição. Produzido pelas empresas independentes polonesas SimulaM e PlayWay, o jogo está sendo promovido como“o primeiro simulador de Jesus do mundo”, no qual você pode“reviver os momentos mais importantes da vida de Cristo”.Apresentado por seus desenvolvedores como uma ferramenta educacional eficaz, ele também “foi aprovado por vários grupos cristãos”, de acordo com o site Game Rant.
Mas antes de clicar no botão “Comprar agora”, convém analisarmos o que este jogo realmente ensina.
Brincando de Deus
“Subirei ao céu, exaltarei meu trono acima das estrelas de Deus; … serei como o Altíssimo” (Isaías 14:13, 14), gabou-se o anjo que se tornaria Satanás.
Ele plantou o mesmo vírus na mente de Eva: “Pois Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gênesis 3:5), disse o diabo no Jardim do Éden, tentando Eva a comer o fruto proibido.
Mas o que há de errado em querer ser como Deus? Jesus não disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que façais como eu vos fiz” (João 13:15)? A Escritura não nos diz: “Quem diz que permanece nele [Cristo] deve também andar como ele andou” (1 João 2:6)? E não é exatamente isso que o videogame está facilitando, de uma forma bem evidente: seguir os passos de Cristo?
Hoje em dia, isso não é tão improvável assim. Os videogames estão sendo cada vez mais explorados como ferramenta didática na área médica, nas forças armadas e até mesmo nas escolas de ensino fundamental. Os videogames de simulação são especialmente influentes por sua“experiência imersiva”.Eles têm como “único objetivo oferecer uma experiência do mundo real aos jogadores”, “sendo os melhores aqueles projetados para fazer com que os jogadores se sintam como se estivessem realizando atividades no mundo real sem realmente fazê-las”.
E é isso que “I Am Jesus Christ” é — um videogame de simulação. Seu objetivo, por definição, é induzir o jogador a sentir-se como se fosse Deus e tentar tornar essa experiência o mais real possível.
Isso é um problema, porque tentar tornar-se Deus é exatamente o ato que levou não apenas Satanás, mas também Adão e Eva à queda. O pecado é o que trouxe tanto sofrimento ao mundo. E “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).
Isso, tornar-se Deus, não é o que Jesus quis dizer quando ordenou que Seus discípulos O seguissem como exemplo. O primeiro dos Dez Mandamentos afirma: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo 20:3). Você não deve se colocar como um deus acima do único Deus. Andar como Cristo andou significa que devemos ter a Sua “mentalidade” (Filipenses 2:5) — o Seu caráter. Devemos imitar Sua humildade (Mateus 20:28), Sua abnegação (2 Coríntios 8:9), Sua total dependência de Deus Pai (João 5:30). Devemos amar como Ele amou (15:13).
Gamificando Deus
Mas vamos deixar de lado, por enquanto, o sacrilégio de interpretar o papel de Jesus e examinar a representação real de Jesus no jogo.
à la Dragon Ball.De acordo com Matteo Lupetti, um jogador de videogame que escreveu um artigo sobre sua experiência em primeira mão ao testar o jogo, “Eu, Jesus, tive que jejuar no deserto enquanto era cercado por anjos que me treinavam para lutar. … Com o toque de um botão, eu podia … reunir as bolas de energia lançadas contra mim por Satanás e devolvê-las.” Ele comparou a cena a uma batalha de anime japonês “à la Dragon Ball”.
Ele também acrescentou: “De vez em quando, eu tinha que parar e rezar para recarregar meu ‘Espírito Santo’, consumido pelo uso dos meus poderes.” Ele “[destruiu] cristais malignos colocados por Satanás em várias cidades palestinas”, “resolveu vários quebra-cabeças em uma dimensão celestial para desbloquear novos milagres” e “se tornou menor para entrar no corpo de um menino e destruir os vírus que iriam matá-lo”. Outro artigo relatou que “os jogadores podem usar a telecinesia para aprimorar suas habilidades de carpintaria”.
Nada disso está na Bíblia.
Para completar, “o jogo foi projetado para ser rejogável, com diferentes escolhas levando a diferentes resultados”. Isso significa que o jogador, na pele de Jesus, poderia escolher não morrer na cruz pelos pecados do mundo? Isso ainda está para ser visto.
Talvez o mais perturbador seja que Lupetti também entrevistou o diretor da SimulaM e garantiu aos seus leitores que “o jogo é bastante sério em suas representações da vida de Jesus”. Em outras palavras, esse simulador não foi concebido como uma piada ou sátira. Foi feito com seriedade, presumivelmente para ensinar as pessoas sobre o evangelho.
Infelizmente, o que o jogo apresenta é uma representação antibíblica da segunda Pessoa da Trindade, um Jesus Cristo gamificado e degradado para se encaixar “no sistema de objetivos-desafios-recompensas que compõe a jogabilidade tradicional”. O jogo ensina que Jesus viveu não por amor altruísta, mas para servir e fortalecer a si mesmo. A oração é corrompida em um truque oportunista para reter poder sobrenatural; Cristo é personificado como um super-herói em vez do Cordeiro de Deus “imolado desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8). E o que o jogador aprende, senão que ele é salvo não pela graça mediante a fé, mas por meio de obras egoístas? Você se torna o salvador, não o salvo.
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