Uma mulher corajosa: defendendo seus princípios
Embora seja impossível saber o que realmente se passa na mente de Putin, não parece que sua guerra esteja ocorrendo conforme o planejado. A condenação quase universal do ataque, a resistência feroz dos ucranianos — que criou um atoleiro militar resultando em milhares de soldados russos mortos — e as sanções econômicas devastadoras: tudo isso aponta para o fato de que a guerra na Ucrânia não está se desenrolando como Putin certamente esperava.
E, talvez o mais surpreendente, tem havido oposição aberta na própria Rússia, com protestos e indignação expressados por milhões de russos. Seja nos dias dos czares ou no longo e frio despotismo da União Soviética, a Rússia nunca tolerou muito a dissidência política. Desde o escritor russo Fiódor Dostoiévski, preso pelo czar, até o famoso cientista nuclear Andréi Sakharov, enviado para o exílio interno pelos comunistas, as pessoas arriscaram a prisão e coisas piores ao se manifestarem contra as políticas de seus líderes.
E agora à lista daqueles que ousam se manifestar pode ser acrescentada a editora de TV russa Marina Ovsyannikova, cujo impressionante protesto ao vivo contra a guerra de seu país contra a Ucrânia emocionou o mundo — e a transformou em uma sensação da mídia da noite para o dia.
Quem é Ovsyannikova, o que ela fez e o que podemos aprender com suas ações?
O protesto
Durante o longo período que antecedeu a invasão, Putin já vinha fechando fontes de notícias dissidentes, deixando em operação principalmente veículos de propaganda pró-governo, entre os quais o Canal Um, a primeira emissora de televisão a transmitir na Federação Russa após o colapso da União Soviética.
No início de março, durante uma transmissão do Canal Um, Ovsyannikova, uma das editoras da rede, entrou no estúdio ao vivo. Enquanto outra mulher lia as notícias, Ovsyannikova ergueu um cartaz que dizia em inglês “No War” — e abaixo, em russo, “Pare a guerra; Não acredite na propaganda; Eles estão mentindo para você”. Ela também gritou: “Pare a guerra! Não à guerra!”
Milhões de pessoas em toda a Rússia viram o protesto antes que a emissora cortasse a transmissão — mas o vídeo se tornou viral em todo o mundo, e Ovsyannikova virou sensação.
Antes de seu protesto online, Ovsyannikova gravou um vídeo que condenava a invasão. Nele, ela explicou que seu pai é ucraniano. Ela disse: “Infelizmente, passei grande parte dos últimos anos trabalhando para o Canal Um, fazendo propaganda do Kremlin, e tenho profunda vergonha disso.” Em seguida, ela encorajou outras pessoas a protestarem, proclamando: “Eles não podem prender todos nós.”
A prisão
Não, eles não podiam prender todos, mas podiam prendê-la — e foi o que fizeram. A polícia invadiu o local, e ela foi levada às pressas para uma delegacia de polícia em Moscou. Por quatorze horas, ela ficou detida em regime de incomunicabilidade; nem mesmo seu advogado tinha ideia do que havia acontecido com ela.
Por fim, Ovsyannikova, mãe de dois filhos, foi libertada depois que um tribunal russo a multou em 30.000 rublos (US$ 280) por violar as leis de protesto, uma acusação relativamente leve considerando que o Parlamento russo aprovou por unanimidade, em regime de urgência, duas leis — assinadas por Putin — que criminalizam reportagens independentes sobre a guerra e protestos contra a guerra, com penas de até 15 anos de prisão. As leis tornam ilegal a divulgação de “notícias falsas” sobre as forças armadas russas ou o apelo pelo fim da guerra na Ucrânia. Milhares de pessoas foram presas desde então com base nessas leis.
Após a audiência, Ovsyannikova disse aos repórteres: “Esses foram, de fato, alguns dos dias mais difíceis da minha vida. Passei dois dias sem dormir. Fui interrogada por mais de 14 horas. Não me permitiram entrar em contato com minha família nem me deram qualquer assistência jurídica. Eu estava em uma situação bastante difícil.”
Embora não tenham sido apresentadas mais acusações contra ela, pelo menos por enquanto, Ovsyannikova ainda pode ser acusada sob essas leis e enfrentar uma pena de 15 anos de prisão. “Ainda há riscos de que um processo criminal seja aberto contra Ovsyannikova, mas as chances disso diminuíram drasticamente após a multa que ela recebeu hoje”, disse Pavel Chikov, diretor do Agora International Human Rights Group. “Ela foi multada não por sua performance, mas por sua mensagem em vídeo na qual incitava as pessoas a protestarem.”
Há muita especulação sobre por que não foram apresentadas acusações mais graves, mas muitos acreditam que sua fama instantânea protegeu Marina. O presidente francês Emmanuel Macron ofereceu proteção a ela, incluindo asilo na embaixada francesa, embora ela tenha dito que não deixaria a Rússia, independentemente das novas acusações que possa enfrentar. “Infelizmente, não poderei aceitar essa gentil oferta porque sou patriota; quero ficar e viver no meu próprio país com minha família, todos os meus amigos estão aqui, e quero ficar na Rússia”, disse Ovsyannikova.
A Coragem
Será preciso muita coragem e fé para defender a Deus nos últimos dias.
Essa história lembra os três jovens hebreus do livro de Daniel, no Antigo Testamento, quando se recusaram a adorar um ídolo, optando por enfrentar a pena de morte em vez de violar os mandamentos de Deus. (Veja Daniel 3.) O que é fascinante é que, usando imagens emprestadas da história de Daniel, o livro do Apocalipse prediz um tempo em que as pessoas nos últimos dias também terão a chance de tomar uma posição pública a favor de Deus, recusando-se a “adorar a besta e sua imagem”, mesmo sob pena de morte (Apocalipse 14:11). Assim como a posição pública de Ovsyannikova contra seu governo, será preciso muita coragem e fé para defender Deus nos últimos dias.
O que são esses eventos dos últimos dias e como eles se desenrolarão? Para saber mais, confira nosso Guia de Estudo intitulado“A Marca da Besta”.
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