Usar o nome de Deus em vão dá multa?

Usar o nome de Deus em vão dá multa?

Os moradores da cidade de Saonara, na Itália, próxima à cidade de Pádua, no norte do país, em breve enfrentarão novas medidas destinadas a combater as chamadas infrações à “qualidade de vida”, como passear com um cão sem coleira, jogar lixo em locais públicos ou cortar a grama em horários inadequados.

E entre essas novas regulamentações: uma multa de € 400, cerca de US$ 445 nos Estados Unidos, para qualquer pessoa que “blasfemar contra qualquer fé ou religião” ou xingar em público.

“A blasfêmia é ofensiva; ela me ofende”, disse o prefeito Walter Stefanao jornal britânico Telegraph. “Com essa lei, não será possível causar [ofensa] a nenhuma religião; temos que respeitar os fiéis.”

O prefeito, que segundo o jornal é católico praticante, declarou que a proibição da blasfêmia abrange todas as religiões: “É válida para Alá, Buda ou Maomé”, disse ele.

O prefeito Stefan está determinado a elevar o comportamento social nesta comunidade de 10 mil habitantes localizada a cerca de 26 km a sudoeste de Veneza. “Pode haver problemas maiores por aí, mas não podemos considerar a civilidade algo banal”, disse ele. “Se deixarmos isso passar, os jovens se tornarão mal-educados. Queremos criar uma comunidade cortês e um comportamento que evite conflitos.”

A Itália como um todo tinha leis contra a blasfêmia em vigor até 1999, há apenas 20 anos. No entanto, ofensas contra “a divindade” permanecem em vigor em algumas áreas, e um homem foi multado em € 100 (US$ 112,50) no ano passado por cometer blasfêmia em frente a uma escola.

Liberdade de expressão inclui palavrões, decide a Suprema Corte

Para os americanos acostumados a todos os tipos de linguagem na esfera pública — sem falar naqueles que sobreviveram ao treinamento básico no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA —, a noção de uma proibição da blasfêmia e dos palavrões pode parecer inimaginável. Repetidamente, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a “liberdade de expressão”, contida na Primeira Emenda da Constituição, significa que a linguagem obscena não pode ser totalmente proibida, embora possa ser regulamentada em certas circunstâncias.

De fato, a cultura ocidental em geral está tão vulgarizada em alguns aspectos que a linguagem obscena já quase não causa espanto. Em 2014, a professora Wendy Patrick, da Universidade Estadual de San Diego — cujo trabalho principal como promotora exige que ela cite linguagem altamente obscena no tribunal como parte de um determinado caso — lamentou a naturalidade com que os estudantes universitários caem em linguagem desagradável.

Patrick, que estudou teologia e também é ministra ordenada, diz que seus “alunos não têm escrúpulos” em soltar palavrões a qualquer momento e por qualquer motivo. Ela disse aojornalDeseret News, de : “A cultura nos campi universitários é que, a menos que sejam perturbadores ou violem as regras, essa é (apenas) a maneira como os jovens falam.”

Na mesma reportagem, o rabino David Wolpe, líder espiritual do Templo Sinai de Los Angeles, disse que há argumentos a favor de não dizer a primeira coisa que vem à mente, especialmente se for profana: “Expressar tudo o que está dentro de você é uma ideia cultural perigosa”, afirmou. “Disciplina e moderação [são] tão importantes para a formação do caráter pessoal quanto a expressão plena.”

Embora seja admirável que o prefeito Stefan esteja preocupado com a possível grosseria da geração mais jovem, a ideia de vizinhos supostamente delatando vizinhos e denunciando cada deslize quando se trata de linguagem ou respeito à religião é um pouco desconcertante. É por isso que Saonara quer ser conhecida? Esse tipo de monitoramento deve ser incentivado? É bom ter civilidade, mas ela precisa ser imposta por uma cultura de vigilância?

Deus se opõe à profanidade

A blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens.

Em Levítico 24:10–16, lemos a história de alguém no acampamento dos israelitas que blasfemou e amaldiçoou a Deus. Moisés, interpretando e aplicando o terceiro mandamento, decretou a punição: morte por apedrejamento. Claramente, tal discurso era visto com bastante seriedade nos dias de Moisés.

Em uma mensagem intitulada“Seu Santo Nome, Nossa Vida Reverente”, o pastor Doug Batchelor fala sobre a seriedade de lidar e falar o nome de Deus. Uma ênfase importante é garantir que nossas vidas estejam à altura do nome de Jesus: “A melhor maneira de não tomar o nome de Deus em vão é viver como um cristão”, disse ele.

Mesmo os crentes conscientes, no entanto, podem se preocupar com uma coisa: será que podem cometer o que é chamado de “pecado imperdoável”, aquele que envolve blasfêmia?

Em Mateus 12:31, Jesus diz aos Seus discípulos: “Por isso vos digo que todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens.”

Esse versículo já causou muita ansiedade a mais de um cristão. Mas há boas notícias para aqueles que estão perplexos: Deus é um Deus de amor infinito que perdoará todos os pecados que Lhe forem confessados. Você pode ler mais sobre isso no novo livro do Pastor Doug, What Is the Unpardonable Sin?. Ele oferece uma mensagem de esperança para aqueles que estão perplexos.

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