Despertando os santos adormecidos

Despertando os santos adormecidos

Um fato surpreendente: estudos mostram que ficar acordado por mais de 20 horas seguidas é quase o mesmo que ter um nível de álcool no sangue de 0,08, o limite legal em todos os estados. Mais de 100 mil acidentes de carro por ano são causados por dirigir com sonolência e resultam em 1.550 mortes, 71 mil feridos e US$ 12,5 bilhões em prejuízos!


Dezenas de lendas em muitas culturas do mundo contam histórias de heróis adormecidos, cavaleiros de armadura brilhante, que repousam sonolentos sob vastas montanhas, aguardando o momento certo para despertar e salvar seus reinos. Esses personagens fictícios adormecidos são frequentemente descobertos nas profundezas de cavernas subterrâneas por pastores desavisados.

Numa versão, um pastor encontra um grande guerreiro adormecido. Quando o soldado acorda, pergunta ao pastor: “Os corvos ainda circulam no topo da montanha?”

O pastor responde: “Sim.”

O herói responde: “Vá embora, pois minha hora ainda não chegou!”

O povo de Deus, a igreja — vocês! — são chamados a ser os heróis nestes últimos dias. Recebemos uma mensagem especial para preparar o mundo para a batalha final dos tempos e a chegada do glorioso reino de Deus. Mas muitos desses santos guerreiros estão espiritualmente adormecidos. Eles murmuram para os outros: “Minha hora ainda não chegou.”

Dois personagens bíblicos inspiradores vêm para nos despertar de nossa letargia, dizendo-nos: “A hora é agora!” Elias e João Batista se apresentam diante de nós como heróis que precisamos imitar. Ambos viveram em épocas de grave declínio espiritual e foram usados por Deus para despertar e preparar outros para eventos decisivos. Ao observarmos seus exemplos nestes dias difíceis para a espiritualidade, você descobrirá paralelos em seus ministérios que podem guiar nossas vidas hoje e nos despertar como guerreiros de Deus.

A Profecia de Malaquias
As últimas palavras do Antigo Testamento revelam uma profecia comovente e poderosa que muitas vezes tem sido mal interpretada:

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível do Senhor. Ele fará com que o coração dos pais se volte para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, para que eu não venha e fira a terra com uma maldição” (Malaquias 4:5, 6).

Na época de Jesus, muitos acreditavam que Elias literalmente desceria do céu para viver novamente na terra, ou possivelmente renasceria como um novo homem. Jesus perguntou aos discípulos: “Quem dizem as multidões que eu sou?” Eles responderam: “João Batista; mas alguns dizem que é Elias; e outros dizem que é um dos antigos profetas que ressuscitou” (Lucas 9:18, 19).

Os judeus esperavam que Elias viesse em breve para anunciar a vinda do Messias. Mas a profecia de Malaquias não pretendia sugerir que o profeta do Antigo Testamento voltaria. Em vez disso, era o espírito de reavivamento e reforma de Elias que estava previsto para retornar.

Falando do nascimento de João Batista, o anjo Gabriel disse a Zacarias: “Ele também irá adiante dele no espírito e no poder de Elias, ‘para converter o coração dos pais aos filhos’ e os desobedientes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo pronto para o Senhor” (Lucas 1:17, ênfase adicionada). Gabriel estava indicando que João Batista cumpriu a profecia de Malaquias.

João deveria preceder o Senhor para realizar uma obra especial de avivamento e reforma. Mais tarde, Jesus confirmou: “Pois todos os profetas e a Lei profetizaram até João. E, se quiserdes aceitar, ele é o Elias que há de vir” (Mateus 11:13, 14).

Mas a profecia de Malaquias não termina com o Batista. Observe: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” (ênfase adicionada). Esse “dia grande e terrível”, também chamado de “o grande dia da Sua ira” (Apocalipse 6:17), é sinônimo da segunda vinda. O cumprimento final dessa profecia acontece logo antes do retorno de Cristo!

O Espírito e o Poder de Elias
Para entender melhor essa profecia, voltemos ao tempo de Elias. A primeira pessoa cheia do “espírito e poder de Elias” não foi João Batista, mas sim Eliseu, o servo de Elias. Quando Deus revelou que em breve levaria Elias para o céu, Eliseu pediu para receber uma porção dupla do espírito de Elias (2 Reis 2:9, 10).

Ao testemunhar o arrebatamento de Elias, Eliseu foi batizado com uma porção dupla do espírito de Elias. “Quando os filhos dos profetas que eram de Jericó o viram, disseram: ‘O espírito de Elias repousa sobre Eliseu’” (2 Reis 2:15).

O que o espírito e o poder de Elias farão? “Ele fará com que o coração dos pais se volte para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais” (Malaquias 4:6). O verdadeiro avivamento transforma nossos lares e se espalha por nossas comunidades. A mensagem de Elias regenera os corações das famílias e restabelece relacionamentos piedosos.

Observe como Gabriel aprofunda essa profecia: “Ele fará com que muitos dos filhos de Israel se voltem para o Senhor, seu Deus”(Lucas 1:16, 17, ênfase adicionada). A mensagem de Elias não ajuda apenas a reunir famílias; ela também leva os filhos terrenos desobedientes a se conectarem com seu Pai celestial.

Em meus estudos sobre Elias e João, encontrei muitos paralelos interessantes. Mas ainda mais emocionantes são as maneiras pelas quais seus ministérios falam aos nossos dias. Esses antigos heróis bíblicos têm características que precisam despertar em nossos corações aqui nestes últimos dias, se quisermos prosperar como povo de Deus. O trabalho deles deve ser o nosso trabalho.

Ousados e destemidos
Elias e João Batista se apresentaram destemidamente diante de reis e proclamaram uma mensagem ousada. Quando o rei Acabe acusou Elias de causar problemas em Israel, Elias respondeu corajosamente: “Não fui eu quem trouxe angústia a Israel, mas tu e a casa de teu pai, por terdes abandonado os mandamentos do Senhor e seguido os Baals” (1 Reis 18:18).

Com a mesma firmeza, João se opôs ao relacionamento imoral do rei Herodes quando lhe disse: “Não te é lícito ter a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18). Ele literalmente perdeu a cabeça por causa dessa acusação ousada.

Jesus previu que Seus seguidores um dia pregariam mensagens diretas da mesma maneira: “Cuidem-se, pois vocês serão entregues aos conselhos e serão açoitados nas sinagogas. Serão levados perante governantes e reis por minha causa, para lhes servir de testemunho” (Marcos 13:9).

Grandes avivamentos não ocorrem quando as mensagens têm como objetivo agradar às pessoas (ver Gálatas 1:10). Proclamações ousadas da verdade clara e intransigente, que desafiam o pecado em todas as suas formas, despertam a consciência e abrem caminho para reformas transformadoras.

Paulo advertiu sobre a resistência a essa obra: “Chegará o tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, seguindo os seus próprios desejos, por terem comichão nos ouvidos, amontoarão para si mestres; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se para fábulas” (2 Timóteo 4:3, 4).

Puro e humilde
Há também fortes semelhanças entre os estilos de vida de Elias e João Batista. Nenhum deles cresceu em palácios reais, mas viveu no deserto (1 Reis 17:1–5; João 1:23). Ambos tinham dietas muito simples (1 Reis 17:11; Marcos 1:6). Os rigores despretensiosos de suas vidas mantiveram suas mentes claras e seus corpos fortes para a obra especial a que Deus os chamou.

Da mesma forma, a igreja nos últimos dias estará mais bem preparada para compartilhar a mensagem de Elias ao viver o estilo de vida de Elias — puro e humilde. Nossa alimentação e nossos hábitos de vida afetam diretamente nossa capacidade de discernir e comunicar as verdades de Deus. Até mesmo o poder de resistir à tentação muitas vezes pode ser atribuído ao que comemos.

As vestimentas simples de Elias e João também são mencionadas na Bíblia. Elias é descrito como vestido com uma roupa feita de pelo e “usando um cinto de couro” (2 Reis 1:8). Da mesma forma, “João estava vestido com pelo de camelo e com um cinto de couro em volta da cintura” (Marcos 1:6).

O vestuário modesto caracterizou esses reformadores e será uma marca distintiva para aqueles que levam adiante a obra de reavivamento em nosso tempo. As pessoas hoje são obcecadas pela moda. A maioria dos estilistas destaca a sexualidade da pessoa. Na busca pelo amor, ficamos cativos de buscar significado nos outros, em vez de buscar em Deus. A igreja pode dar ao mundo uma repreensão amorosa, sem dizer uma palavra, simplesmente vestindo-se com recato. (Veja Efésios 4:24 e 1 Timóteo 2:9.)

Um espírito humilde também foi demonstrado tanto por Elias quanto por João. O primeiro profeta não hesitou em correr à frente da carruagem do rei como um servo. João disse certa vez a respeito de Jesus: “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar” (Mateus 3:11). A obra de reforma não é liderada por obreiros orgulhosos cobertos por um manto religioso falso. Ela tem origem em corações que “andam humildemente” com Deus (Miquéias 6:8).

Batizando e Discipulando
Podemos supor que Elias e João Batista eram do tipo “Lone Ranger”, mas isso está longe de ser verdade. Elias visitou as escolas dos profetas e orientou Eliseu para continuar sua obra (ver 2 Reis 2:3–7). João também tinha alunos (discípulos) que ele treinou (ver João 1:35). Ambos combinavam instrução espiritual com trabalho prático e serviço ao próximo.

A última grande obra de Deus na terra não será realizada por alguns poucos líderes proeminentes. Não está nas mãos de um grupo seleto de clérigos que a mensagem final seja levada a todo o mundo. Muitos discípulos e leigos serão treinados para proclamar o evangelho eterno. Deus usará seguidores cheios do Espírito, independentemente da classe social, para compartilhar a Bíblia. A mensagem de Elias envolve tanto o treinamento quanto a proclamação, tanto o estudo quanto o serviço.

É interessante que tanto Elias quanto João tenham ligações com o rio Jordão. Elias disse a Eliseu: “Fica aqui, por favor, pois o Senhor me enviou para o Jordão” (2 Reis 2:6). João, é claro, realizou grande parte de sua obra junto a esse rio. “Então Jerusalém, toda a Judéia e toda a região ao redor do Jordão saíram ao seu encontro e foram batizados por ele no Jordão, confessando seus pecados” (Mateus 3:5, 6).

Os israelitas atravessaram milagrosamente o Jordão depois de deixarem o Egito e o deserto e antes de entrarem na Terra Prometida. O Jordão simbolizava uma transição entre uma vida antiga e uma vida nova. É uma representação adequada do batismo.

Quando João pregava seus sermões de avivamento para as multidões, as pessoas eram convencidas do pecado e confessavam suas transgressões. Era um passo necessário antes de serem imersas na água, o que representa “morrer” para si mesmo.

Assim também nos últimos dias, quando uma mensagem de avivamento for compartilhada com o mundo, as pessoas sentirão a culpa do pecado pesando sobre seus corações e, em resposta, se voltarão para Cristo, arrependendo-se de seu antigo modo de vida. Assim como na igreja primitiva, o Espírito Santo será derramado e milhares serão batizados em grande número, buscando a liberdade purificadora de uma nova vida em Jesus (ver Mateus 28:19).

Restaurando a Adoração e Glorificando a Deus
Tanto Elias quanto João Batista trabalharam para trazer as pessoas de volta a Deus. Foi isso que Elias fez no Monte Carmelo: “Elias disse a todo o povo: ‘Aproximem-se de mim’. Então todo o povo se aproximou dele. E ele reparou o altar do SENHOR que estava em ruínas” (1 Reis 18:30). O altar estava em ruínas porque o povo de Deus havia se voltado para a adoração a Baal. Da mesma forma, João deu aos judeus um chamado para despertar, dizendo: “Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo” (Mateus 3:2).

O foco desses reformadores não era em si mesmos. Eles apontavam os outros para Deus. Elias orou: “Ouve-me, ó SENHOR, ouve-me, para que este povo saiba que Tu és o SENHOR Deus” (1 Reis 18:37). João disse a respeito de Jesus: “É preciso que ele cresça, mas que eu diminua” (João 3:30). Ele direcionava as pessoas a Cristo. “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). Aqueles que pregam a mensagem de Elias farão da glorificação de Deus sua prioridade máxima. Não haverá espaço para a exaltação do eu.

Resultados da Obra
Quando Elias orou no Monte Carmelo e o fogo desceu e consumiu o sacrifício, o povo “prostrou-se com o rosto em terra e disse: ‘O SENHOR, Ele é Deus! O SENHOR, Ele é Deus!’ ” (1 Reis 18:39). Quando João Batista chamou Israel ao arrependimento, “Então toda a terra da Judéia e os que eram de Jerusalém saíram ao seu encontro e foram todos batizados” (Marcos 1:5). Esses dois corajosos profetas transmitiram uma mensagem que despertou avivamento e reforma entre o povo de Deus.

Hoje, muitos cristãos definham em sonolência espiritual e pecado casual. Como o julgamento começará pela casa de Deus (ver Ezequiel 9:6; 1 Pedro 4:17), a mensagem de Elias deve primeiro chegar à igreja. O plano de Deus para alcançar o mundo inteiro se concretiza quando os cristãos cooperam com as agências celestiais. O reavivamento começa no corpo de Cristo. Ele deve começar agora!

Depois que Israel se arrependeu no Monte Carmelo, Elias orou por chuva e Deus derramou Sua bênção. Nós também podemos receber uma chuva tardia do Espírito Santo (Tiago 5:7) se despertarmos, pois chegou a nossa hora de sair da sonolência e preparar um povo pronto para receber nosso Rei que vem (Lucas 1:17).

\n