Como perdoamos nossos inimigos?
Durante uma entrevista extraordinária diante de uma plateia ao vivo na semana passada, Michelle Knight, uma das três mulheres mantidas em cativeiro por 11 anos por Ariel Castro, falou sobre aprender a perdoar até mesmo as ofensas mais brutais contra nós. Sua mensagem impactante ganhou as manchetes.
Sequestrada e escravizada
Knight foi sequestrada em agosto de 2002, quando tinha 21 anos. Ao longo da década seguinte, ela foi repetidamente estuprada e abusada emocionalmente por Castro — que acabou sequestrando outras duas mulheres. Seu sequestrador zombava dela, dizendo que ninguém a procurava, que a família e a polícia presumiam que ela tivesse fugido e desistiram das buscas. Quando ela perguntou a Castro por que ele a sequestrou, ele admitiu: “Sou viciado em sexo e não consigo me controlar”.
Então, em maio de 2013, as três mulheres conseguiram fugir. Castro foi preso logo em seguida e condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional, mais 1.000 anos, após se declarar culpado de 937 acusações de estupro, sequestro e homicídio qualificado. Apenas um mês após o início da pena, porém, ele foi encontrado morto em sua cela, vítima de suicídio. Parece que o homem que manteve três mulheres em cativeiro por uma década não conseguiu suportar sua própria prisão após apenas um mês.
Ela admitiu que, no início, o odiava.
Knight diz que sobreviveu à provação graças à fé e à oração. Embora fosse difícil, ela se agarrou à esperança. Surpreendentemente, após terapia e longos períodos de oração, Michelle acabou chegando a um ponto em que foi capaz de perdoar seu sequestrador. Ela admitiu que, no início, o odiava, mas passou a aceitar que ele era um homem doente que precisava de ajuda. Knight escreveu sobre sua experiência horrível no livro Finding Me, e agora é uma forte defensora de organizações que ajudam vítimas de violência doméstica.
O perdão é uma escolha, é claro, mas não é uma escolha sempre baseada em sentimentos. Todos nós lutamos para perdoar aqueles que nos magoam — mesmo aqueles que amamos. A Escritura ensina: “Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência; suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim também vós deveis fazer” (Colossenses 3:12, 13). Para os cristãos, o perdão é mais do que uma escolha; é um dever.
Talvez a chave para o perdão genuíno seja reconhecer o quanto Deus nos perdoou. Quando Cristo morreu na cruz por nossos pecados, Ele orou por aqueles que O torturavam, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).
Perdoar não é esquecer
O perdão não é tolerar ações erradas. Não significa que continuemos a permitir que as pessoas nos magoem. É normal perdoar e estabelecer limites. O que o perdão faz é tirar a pessoa da nossa lista e colocá-la na lista de Deus. Confiamos que o Senhor um dia colocará tudo em ordem.
À medida que preparamos nossos corações e nossas vidas para a breve vinda de Jesus, desejaremos perdoar os outros por causa da forma como Cristo nos concedeu esse dom. Não queremos que nenhuma “raiz de amargura” brote causando problemas, “e por isso… nos tornemos contaminados” (Hebreus 12:15). Esse perdão não vem de dentro, mas através do poder do Espírito Santo que habita em nós.
Gostaríamos de saber sua opinião nos comentários abaixo. Você seria capaz de perdoar alguém que o maltratasse da mesma forma que Ariel Castro maltratou Michelle Knight — ou como os romanos torturaram Jesus? Como tal coisa seria possível?
Saiba mais sobre o poder do perdão com esta mensagem do pastor Doug Batchelor.
Como você equilibra o perdão e a ira justa? Ouça nosso arquivo do Bible Answers Live!
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