O fim do caso Roe v. Wade: o que isso significa para os cristãos?
A menos que você tenha vivido em uma ilha remota nos últimos meses, certamente ficou sabendo imediatamente e com clareza da decisão dramática da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso conhecido como Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization. Sua decisão histórica, por 6 votos a 3, confirmou uma lei do Mississippi que proíbe o aborto após a 15ª semana de gravidez. A decisão também revogou o caso Roe v. Wade, que por 50 anos garantiu em todos os estados o direito ao aborto no primeiro trimestre.
Portanto, o caso Roe v. Wade chegou ao fim nos Estados Unidos. E agora?
A reação não foi discreta, para dizer o mínimo. Aqueles do chamado lado “pró-vida” comemoraram; aqueles do chamado lado “pró-escolha” lamentaram, com muitos até optando por protestar violentamente para expressar sua raiva pela decisão. E a controvérsia não está indo embora; pelo contrário, ela apenas começou.
Em uma América já profundamente dividida em quase todas as questões — armas, imigração, sexualidade, política, gênero, o que você quiser — muitos comentaristas e cidadãos já vêm falando sobre outra guerra civil. A decisão Dobbs adicionou combustível de alta octanagem a um fogo que ameaça sair do controle.
À imagem de Deus
Apesar de décadas em que a comunidade científica dominante tentou convencer as pessoas de que não passamos de um subproduto do acaso em um universo sem Deus, a maioria (embora por uma pequena margem) dos americanos ainda acredita que fomos criados por um desígnio — pela vontade de um Deus Criador.
Além disso, milhões de americanos acreditam especificamente no relato bíblico da criação, que diz que os seres humanos foram feitos não à imagem dos macacos, mas de Deus — uma diferença crucial. Eles acreditam que a vida humana tem santidade de uma forma que não teria se a evolução ateísta fosse verdadeira. É por isso que tantos americanos consideram a vida humana sagrada — mesmo quando essa vida ainda está no útero.
Jesus participou pela primeira vez da existência humana como um feto; Sua jornada humana não começou no nascimento, mas na concepção.
Em outras palavras, o próprio Deus entrou na existência humana da mesma forma que o resto de nós: concebido em uma mulher, onde se desenvolveu e cresceu até nascer. “E aconteceu que, enquanto estavam ali, completaram-se os dias para que ela desse à luz. E ela deu à luz seu Filho primogênito e o envolveu em panos” (Lucas 2:6, 7).
Jesus participou pela primeira vez da existência humana não como recém-nascido, mas como feto; Sua jornada humana não começou no nascimento, mas na concepção — assim como você, assim como todos nós.
Antes de você nascer, eu já o conhecia
A Escritura reconhece que a personalidade humana existe mesmo antes do nascimento: “Os teus olhos viram a minha substância, quando ainda não tinha forma. E no teu livro estavam todos escritos os dias que foram formados para mim, quando ainda nenhum deles existia” (Salmo 139:16).
Sobre Jeremias, a Escritura diz: “Antes de eu te formar no ventre, eu te conhecia; antes de nasceres, eu te santifiquei; eu te ordenei profeta para as nações” (Jeremias 1:5).
Em referência a Sansão, quando ele ainda estava no ventre, a Bíblia diz que ele deveria “ser nazireu de Deus desde o ventre” (Juízes 13:5).
Esses versículos e outros (Gálatas 1:15; Lucas 1:15, 35; Gênesis 25:21–23; Jó 10:8–12; 31:13–15) reconhecem nossa humanidade mesmo enquanto estamos in vitro — bem como a sacralidade da vida no ventre.
As consequências
Embora muitos cristãos estejam se alegrando com a decisão do caso Roe v. Wade, eles precisam estar preparados para as consequências. Este seria um momento tão bom quanto qualquer outro para os cristãos revelarem o amor e a compaixão que Deus chamou todos os Seus seguidores a manifestar. “Sejam bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-se uns aos outros, assim como Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4:32).
Haverá muitas mulheres feridas, assustadas e vulneráveis — mães solteiras, adolescentes grávidas, aquelas que se sentem despreparadas para a maternidade — que não precisam ser julgadas, condenadas ou difamadas. Elas precisam ser amadas e ministradas. “Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).
E haverá mais crianças preciosas nascidas em situações menos que ideais que precisarão ser nutridas, cuidadas e criadas. Jesus fala desses pequeninos vulneráveis, identificando-Se com eles: “Em verdade vos digo que, na medida em que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo aos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).
Temos o exemplo de Jesus, não apenas fisicamente, mas moralmente: “Nada façais por ambição egoísta ou por vaidade, mas com humildade, considerando os outros superiores a vós mesmos. Cada um de vós não procure apenas os seus próprios interesses, mas também os interesses dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Filipenses 2:3, 4).
Sim, Jesus nos mostrou como a vida é sagrada ao se tornar humano — assim como nós. Enquanto isso, os crentes devem demonstrar seu respeito por essa santidade da vida, não apenas pelo bebê in vitro, mas também pelo recém-nascido, pela criança e pelo adulto que se segue. O cristianismo não exige nada menos do que isso. Para saber mais sobre a humanidade de Jesus, leia“Quem é Jesus?”.
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