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O Rico e Lázaro, de Doug Batchelor

Uma reviravolta dramática na sorte

Um fato surpreendente: Craig Coley, um californiano que foi injustamente condenado pelo assassinato de uma ex-namorada e do filho dela há quatro décadas, é considerado inocente, libertado e recebe uma indenização de US$ 21 milhões da cidade de Simi Valley. Após passar 39 anos atrás das grades, o prisioneiro injustiçado se torna um milionário feliz. Depois, há Bill Cosby, que já foi conhecido e amado por todos como o “pai favorito da América”. Agora, o comediante milionário em desgraça definha na prisão, onde provavelmente passará o resto da vida, após ser condenado por agressão sexual. Que contraste! Uma dramática reviravolta da sorte As pessoas sempre foram fascinadas por histórias irônicas de ascensão da pobreza à riqueza. E sim, da riqueza à pobreza. Talvez seja por isso que Jesus contou a surpreendente história de duas vidas muito diferentes com dois destinos muito distintos — a história de Lázaro e de um homem rico. Com uma multidão ansiosa reunida ao seu redor, incluindo fariseus à espreita nas margens, Jesus contou uma parábola sobre dois homens que eram opostos em quase todos os aspectos. “Havia um certo homem rico que se vestia de púrpura e linho fino”, explicou Jesus (Lucas 16:19). A mesa do homem rico também era regularmente posta com banquetes, e ele desfrutava de toda variedade de iguarias requintadas. Lázaro, por outro lado, era pobre. Ele vestia trapos e estava sempre faminto — tão faminto que se deitava na rua, bem em frente aos portões do homem rico, na esperança de que fosse “alimentado com as migalhas que caíam da mesa do homem rico” (v. 21). Não se engane: Lázaro não esperava uma caixa de sobras para levar. Ele queria as migalhas que a empregada varria da pá de lixo após o jantar. E para ilustrar ainda mais o quão desesperadora era sua situação, Jesus acrescentou: “Além disso, os cães vinham e lambiam suas feridas.” Embora esses dois homens morassem muito próximos um do outro, levavam vidas opostas. No entanto, uma coisa era igual: ambos morreram. O que Jesus disse em seguida em Sua parábola chocou a mente de todos os que ouviam: o pobre “foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”, enquanto o rico se encontrava no Hades, sofrendo tormento (vv. 22, 23). De seu lugar nas chamas, o rico olhou através do abismo cósmico para ver Lázaro ao lado de Abraão. Era demais para suportar. “Pai Abraão, tem misericórdia de mim!”, clamou o homem rico. “Manda Lázaro molhar a ponta do dedo na água e refrescar a minha língua; pois estou atormentado nesta chama” (v. 24). “Filho”, respondeu Abraão, “lembra-te de que, em vida, recebeste os teus bens, e Lázaro, os males; mas agora ele é consolado, e tu estás atormentado. E, além de tudo isso, entre nós e vocês há um grande abismo fixo, de modo que aqueles que querem passar daqui para vocês não podem, nem aqueles de lá podem passar para nós” (vv. 25, 26). Mas o homem rico não parava de gemer. Ele então disse: “Peço-te, pois, pai, que o envies à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que ele lhes testemunhe, a fim de que também eles não venham para este lugar de tormento” (vv. 27, 28). E mais uma vez, Abraão o repreendeu, dizendo: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam” (v. 29). “Não, pai Abraão”, insistiu o homem rico, “mas se alguém dos mortos for até eles, eles se arrependerão” (v. 30). Mas Abraão não se deixou convencer. “Se não ouvem Moisés e os profetas, tampouco se persuadirão, mesmo que alguém ressuscite dentre os mortos” (v. 31). O que Jesus quis dizer com uma história tão angustiante? Dependendo de quem você perguntar, receberá interpretações amplamente diferentes, tão diferentes umas das outras quanto o homem rico e Lázaro! Por exemplo, muitos têm usado essa passagem como evidência bíblica direta de que, na morte, os impenitentes vão diretamente para um fogo infernal que arde eternamente, enquanto os salvos vão direto para o céu. Outros dizem que a história é meramente uma ilustração, uma metáfora, de outros princípios divinos, e que Jesus, na verdade, tinha ideias diferentes sobre o que acontece na vida após a morte. Então, qual é a verdade? Qual é a imagem mais bíblica do que está acontecendo? Vamos examinar mais de perto.

O que isso não significa

A história do homem rico e de Lázaro vem após uma série de parábolas cuidadosamente contadas, que são contos fictícios usados para ilustrar lições espirituais. As parábolas são uma ferramenta de ensino que Jesus usava habitualmente. “Todas estas coisas Jesus falou à multidão em parábolas; e sem parábola não lhes falava” (Mateus 13:34).Nossa compreensão dessa história depende de saber se trata-se de uma parábola ou se Jesus passou de uma série de lições figurativas para algo literal. Por exemplo, alguns argumentam que o uso de um nome específico por Jesus, Lázaro, é uma pista de que Ele estava falando literalmente. No entanto, o nome Lázaro é, na verdade, a tradução grega do nome hebraico Eliezer, o nome do fiel servo de Abraão (Concordância de Strong, 2976). Era um nome comum para os filhos israelitas. (Era o nome do segundo filho de Moisés com Zípora, por exemplo, e o nome de um profeta em 2 Crônicas.) Não seria surpresa que Jesus usasse esse nome em conexão com Abraão, e isso é uma forte pista de que se trata, de fato, de uma parábola. Vejamos mais algumas pistas… 1. No Evangelho de Lucas, Jesus conta duas outras parábolas que começam da mesma maneira, referindo-se a um homem rico. “Ele lhes contou uma parábola, dizendo: ‘A terra de um certo homem rico produziu em abundância’” (Lucas 12:16). E: “Havia um certo homem rico que tinha um administrador…” (Lucas 16:1). Da mesma forma, a figura central desta história não é Lázaro, mas o homem rico sem nome. 2. A história de Jesus diz que o homem rico no Hades queria uma gota de água para refrescar a língua. Se um radiador está superaquecendo, de que adianta uma única gota de água? Da mesma forma, uma gota de água ofereceria algum alívio nas chamas do inferno? Podemos presumir com segurança que Jesus está usando hipérbole. 3. Diz-se que, após sua morte, Lázaro foi levado para o seio de Abraão. É claro que os anjos não carregam literalmente as pessoas salvas para o seio de Abraão. Podemos presumir com segurança que essa é mais uma figura de linguagem.4. Diz-se que Abraão e o homem rico podiam conversar livremente entre si. Mas será que aqueles no paraíso seriam realmente capazes de ver, ouvir e falar com os perdidos que se queimavam no Hades? Seria realmente o paraíso ver seus entes queridos perdidos queimando e não poder ajudá-los? Mais uma vez, podemos assumir com segurança que Jesus estava pintando uma ilustração, não registrando fatos. A compreensão mais racional dessa história é que ela também é uma das muitas parábolas que Jesus conta para ilustrar verdades divinas. Essa é a posição de muitos estudiosos históricos da Bíblia, incluindo aqueles que acreditavam que as pessoas vão para o céu ou para o inferno logo após a morte.Em 1862, por exemplo, o famoso presbiteriano Albert Barnes escreveu: “Muitos supuseram que nosso Senhor aqui se refere a uma história real e relata a vida de algum homem que viveu dessa maneira. Mas não há evidência disso. O mais provável é que essa narrativa deva ser considerada uma parábola” (Notas, Explicativas e Práticas, sobre os Evangelhos).Também comentando sobre essa passagem, o renomado batista John Gill disse: “Na cópia mais antiga de Beza, e em outro manuscrito dele, lê-se, a título de prefácio, ‘ele disse também outra parábola’: o que mostra que não se trata de uma história factual, nem de um relato histórico sobre duas pessoas tais” (Exposição de Toda a Bíblia). Muitos outros teólogos ao longo da história entenderam que essa história é uma parábola, contada por Cristo para transmitir verdades espirituais. Mais importante ainda, podemos ter certeza de que os ouvintes de Jesus naquele dia teriam entendido que se tratava de uma parábola. A palavra “Hades” era bem conhecida como um termo emprestado da mitologia grega. Nesses mitos, Hades era tanto o nome do submundo quanto o nome do deus responsável por aquele lugar.Em uma das 14 escolas que frequentei quando jovem, participei de uma peça sobre mitologia grega. Recebi o papel de Plutão — o nome romano para Hades. De fato, muitas de nossas concepções modernas sobre o inferno são influenciadas pela mitologia grega e romana; a igreja medieval adotou tais visões, confundindo a verdade sobre o inferno. Mas, para os ouvintes judeus de Jesus, a palavra Hades teria indicado claramente que Ele estava falando em metáfora.Eu poderia até fazer a mesma coisa agora mesmo. Se eu começasse uma história dizendo: “Um dia, Alice entrou no País das Maravilhas”, você entenderia imediatamente que eu não estava contando uma história literal. Em nossa cultura, a maioria das pessoas conhece o conto de fadas de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. Da mesma forma, o povo judeu teria reconhecido Hades como um mito grego e que Jesus estava usando hipérbole.

O que o resto da Bíblia diz?

Também podemos saber que se trata de uma parábola comparando-a com outras partes das Escrituras, incluindo as próprias crenças de Jesus, claramente expressas. É sempre perigoso basear uma doutrina inteira em um único texto, e quanto mais investigarmos esse assunto, descobriremos que o restante das Escrituras deixa claro que a punição dos ímpios virá no fim do mundo.Jesus disse: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue — a palavra que eu falei o julgará no último dia” (João 12:48, ênfase minha). Quando aqueles que rejeitam Jesus são julgados? No último dia. Além disso, Jesus afirmou claramente que os salvos não recebem sua recompensa até a ressurreição. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:54, ênfase minha). Jesus também contou uma parábola sobre o momento do julgamento final — e até mesmo deu Sua própria explicação, tornando difícil interpretar mal Sua intenção. Você encontra isso em Mateus 13:38–42. Nessa parábola, um agricultor semeou boa semente, mas um inimigo veio e semeou joio. Jesus explicou a lição, dizendo: “O joio são os filhos do maligno. O inimigo que o semeou é o diabo, a colheita é o fim dos tempos, e os ceifeiros são os anjos. Portanto, assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será no fim deste mundo. O Filho do Homem enviará os Seus anjos, e eles recolherão do Seu reino tudo o que ofende… e os lançarão na fornalha de fogo” (ênfase minha). Segundo Jesus, os ímpios serão lançados no inferno no fim deste mundo. Isso é um forte indício de que Jesus estava falando figurativamente na história de Lázaro. Embora algumas pessoas possam se confundir, tentando transformar a parábola do homem rico e de Lázaro em uma descrição literal do que acontece na morte, podemos saber que Jesus tem um propósito totalmente diferente. A questão é: qual é o propósito da parábola do homem rico e de Lázaro?

Dois temas

Uma coisa maravilhosa sobre as parábolas é que elas podem conter várias lições espirituais e múltiplas aplicações. A história do homem rico e de Lázaro é apenas um exemplo entre muitos; ela contém pelo menos duas lições espirituais para refletirmos. Um tema é que nossas ações cotidianas têm consequências eternas. A capacidade de escolher a salvação não está disponível para nós após a morte. Outro tema é que Deus vê as pessoas de maneira diferente daquela como a humanidade pecadora as vê. Como sempre, compreender o contexto é fundamental para entender uma passagem bíblica. O que aconteceu antes de Jesus contar essa parábola? Ele contou a parábola sobre um administrador injusto. Ele encerrou essa história com este resumo: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois ou odiará um e amará o outro. … Não se pode servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13). Os fariseus estavam ouvindo. A Bíblia diz que, quando ouviram as palavras de Jesus, “eles zombaram dele”. Por quê? Porque “eram amantes do dinheiro” (v. 14). Os fariseus afirmavam ser seguidores de Deus; davam a impressão externa de serem ultrareligiosos, seguindo diligentemente todas as supostas regras a fim de serem justos. No entanto, Jesus sabia que, em seus corações, eles amavam suas riquezas terrenas mais do que amavam a Deus — e isso sempre transparecia em suas ações. Jesus então teceu uma advertência para abordar sua impureza espiritual: “Vocês são aqueles que se justificam diante dos homens, mas Deus conhece seus corações. Pois o que é altamente estimado entre os homens é uma abominação aos olhos de Deus” (v. 15).Depois disso, Jesus conta a parábola do homem rico e de Lázaro. E, da mesma forma, nessa história, Ele incluiu temas que os fariseus precisavam ouvir. Mas eles não são apenas para os fariseus que viviam no primeiro século. Você e eu também precisamos prestar atenção a essa parábola. Então, vamos examinar mais de perto como esses dois temas se desenrolaram nas vidas tão diferentes do homem rico e de Lázaro.

Vestido de púrpura

Observe que Jesus especifica que o homem rico estava vestido de púrpura e linho fino. Naquela época, a púrpura de Tiro era rara e cara. Valia mais do que a prata! O corante era particularmente especial porque não desbotava facilmente; na verdade, o desgaste e a luz do sol tornavam a cor ainda mais brilhante. O corante era extraído da mucosa de um caracol marinho murex esmagado, que podia ser encontrado entre as rochas costeiras do Mediterrâneo Oriental. Mas eram necessários doze mil caracóis para produzir apenas 1,4 gramas de corante — o suficiente para tingir a bainha de uma única peça de roupa. Não é surpresa que tenha se tornado um símbolo de status. Eventualmente, o governo bizantino subsidiou sua produção e restringiu seu uso às sedas imperiais. É por isso que se dizia que uma criança nascida de um imperador reinante havia “nascido na púrpura”. Um homem vestido de púrpura não era apenas rico; ele era tão rico quanto a realeza! Os soldados romanos estavam cientes disso quando zombaram de Jesus como o Rei dos Judeus, vestindo-O de púrpura e colocando-Lhe uma coroa de espinhos (Marcos 15:17). A púrpura era a cor da realeza, da riqueza e da religião majestosa. Era até mesmo um componente das vestes do sumo sacerdote judeu (Êxodo 28:5, 6).Assim como os fariseus eram “amantes do dinheiro”, muitos hoje são tentados a pensar que suas riquezas lhes proporcionarão estabilidade e segurança a longo prazo. Mas Deus vê isso de maneira diferente. No Apocalipse, o linho fino e a púrpura estão associados à Babilônia. Quando ela for destruída, reis e mercadores que lucraram com seus enganos chorarão: “Ai, ai, da grande cidade que estava vestida de linho fino, púrpura e escarlate. … Pois em uma hora tais grandes riquezas se tornaram nada” (Apocalipse 18:16, 17). Da mesma forma, as riquezas mundanas podem desaparecer da noite para o dia — o mercado de ações entra em colapso, seu concorrente conquista a maior parte do mercado, ou um desastre natural ou uma guerra muda tudo. Embora tendamos a confiar em nossas riquezas, Deus sabe melhor. Ele vê o fim desde o princípio. No caso do homem rico, mesmo ser extremamente rico não conseguiu prolongar sua vida nem mudar suas circunstâncias na morte.

Banquetes e Moda

O homem rico também “fazia festas suntuosas todos os dias”. Jesus tinha algumas instruções para aqueles abençoados com comida em abundância. Quando estava comendo na casa de um fariseu num sábado, Ele disse: “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, teus irmãos, teus parentes, nem vizinhos ricos, para que eles também não te convidem em troca e te recompensem. Mas, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. E serás abençoado, porque eles não podem retribuir-te; pois serás recompensado na ressurreição dos justos” (Lucas 14:12–14). Assim como o fariseu rico que hospedou Jesus, o homem rico da parábola deu um banquete. Segundo Jesus, ele tinha a responsabilidade espiritual de compartilhá-lo — e não apenas com seus amigos. Ele deveria tê-lo compartilhado com aqueles que mais precisavam. Notavelmente, Jesus não diz como esse homem ficou rico. Não devemos necessariamente supor que ele tenha trapaceado, mentido, cometido fraude ou oprimido outros para obter riqueza. Mas a maneira como gastamos e não gastamos nosso dinheiro pode revelar a condição espiritual de nossos corações. Seu coração está voltado para o egoísmo? Você se preocupa com as necessidades dos outros? O ensinamento de Jesus sobre esse ponto é claro em outros trechos. Certa vez, ele disse aos discípulos: “A vida é mais do que o alimento, e o corpo é mais do que o vestuário” (Lucas 12:23). No entanto, isso é tudo o que sabemos sobre a vida desse homem rico — o que ele comia e o que vestia. Em vez disso, Jesus disse aos Seus discípulos: “Não busquem o que comerão ou o que beberão, nem se preocupem. … Mas busquem o reino de Deus, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Lucas 12:29–31). Deus assume a responsabilidade final por sustentar nossas vidas. Ele proverá. Nossa responsabilidade é buscá-Lo. Jesus concluiu com o conhecido ditado: “Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lucas 12:34). É outra maneira de dizer que nossas ações diárias, incluindo como gastamos nosso dinheiro, são a evidência do que há em nossos corações. É por isso que nossas ações diárias têm implicações eternas.

Lázaro: Pobre e Doente

Enquanto o homem rico festejava e se vestia com luxo, Lázaro sobrevivia de migalhas e estava coberto de feridas. E, nos dias de Jesus, os judeus acreditavam que tais doenças e pobreza eram frequentemente punições diretas pelo pecado (João 9:2). Deus vê isso de maneira diferente, mesmo no Antigo Testamento. Na história de Jó, aprendemos que sua doença não era um julgamento pelo pecado. Assim como Lázaro estava “coberto de feridas”, Jó estava coberto da cabeça aos pés de furúnculos. No caso de Jó, foi a aflição infligida pelo diabo a um homem justo (Jó 2:7). Da mesma forma, enquanto os fariseus teriam visto Lázaro como um pecador imundo, Deus via um quadro totalmente diferente. Afinal, Lázaro foi descansar nos braços de Abraão, metaforicamente falando. Mas feridas e fome não eram os únicos problemas físicos de Lázaro. Ele também não conseguia andar. Jesus diz que Lázaro “estava deitado” à porta do homem rico; em outras palavras, alguém precisava carregá-lo até lá. No terceiro capítulo de Atos, um homem coxo é curado por alguns apóstolos. A Bíblia diz que todos os dias alguém carregava aquele homem até o templo, onde ele podia pedir esmolas aos fiéis (v. 2). Talvez fosse o mesmo com Lázaro: alguns amigos prestativos o levavam para mendigar nos bairros mais ricos. Por outro lado, a palavra grega pode ter a conotação de jogar algo sem se importar onde vai cair; assim, alguns comentaristas sugerem que Lázaro foi simplesmente abandonado ali. De qualquer forma, está claro que Lázaro era incapaz de andar e que suas expectativas de ajuda não eram altas. Jesus disse que esse homem desejava “ser alimentado com as migalhas que caíam da mesa do homem rico” (Lucas 16:21). Que contraste com o homem rico que se banqueteava generosamente com sua despensa repleta. Curiosamente, o nome Lázaro significa “Deus provê ajuda”. É um contraste fundamental com o homem rico, que não é identificado e que pensa ser rico, mas, como a igreja de Laodicéia, é “desgraçado, miserável, pobre, cego e nu” (Apocalipse 3:17). A menos que tais pessoas se arrependam, Deus lhes dirá no fim dos tempos: “Nunca vos conheci” (Mateus 7:23). É claro que Lázaro, pobre em espírito e humilde de coração, é levado para o seio de Abraão. Ele está ciente de seu estado miserável, infeliz e pobre.

Gentios espiritualmente famintos

Sempre que Jesus se dirigia diretamente aos fariseus, Ele tinha pelo menos dois tipos de riqueza em mente. O primeiro eram os bens materiais; os fariseus eram “amantes do dinheiro”. Mas o segundo tipo de riqueza é constituído de bens espirituais. Um pequeno detalhe na parábola fornece uma pista essencial. Falando de Lázaro, Jesus disse: “Os cães vinham e lambiam suas feridas” (Lucas 16:21). Não sei ao certo se isso seria doloroso ou reconfortante, mas não parece higiênico. Então, qual foi o propósito de Jesus ao incluir esse detalhe? Nas Escrituras, os cães, que são animais impuros, costumam ser um símbolo dos incrédulos e dos ímpios. Apocalipse 22:15 diz que fora da Nova Jerusalém estão os cães, os feiticeiros e os assassinos, entre outros. 2 Pedro 2:22 usa a imagem do cão para ilustrar alguém enredado na impureza do mundo. E, nos dias de Jesus, Sua alusão provavelmente teria sido rapidamente interpretada como uma referência aos gentios, que não tinham acesso direto à verdade de Deus como os israelitas. Em outras palavras, Lázaro jaz do lado de fora do portão do homem rico, entre os gentios ímpios. Mas nem todos os ímpios querem permanecer assim. Muitos gentios são pessoas espiritualmente famintas em busca de alimento, mesmo que sejam migalhas — como a mulher cananeia. Enquanto Jesus estava em uma viagem a Tiro, ela clamou por Ele, implorando-Lhe que curasse sua filha possuída por demônios. Para nós hoje, Jesus respondeu de uma forma que parece dura: “Não é bom tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos” (Mateus 15:26).Nós talvez nos sentíssemos ofendidos, mas essa mãe persistiu. “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus senhores” (v. 27, ênfase minha). Aqui está uma mulher gentia, considerada impura pelos judeus, implorando por “migalhas”. O que Jesus fez? Ele elogiou a fé dela e atendeu ao seu pedido de cura. Metaforicamente falando, Lázaro, tocado por cães impuros, representa, por extensão, todos os gentios impuros — pobres de espírito, presos nas trevas, mas buscando a Deus. E observe: Depois que Jesus alimentou os cinco mil com apenas alguns pães e peixes, Ele instruiu os discípulos a recolherem as sobras para que nada fosse “perdido” (João 6:12). As pessoas costumam pensar que as migalhas são pequenas demais para terem valor, mas Jesus vê isso de maneira diferente. Ele sabe como fazer com que até mesmo um pouco de verdade tenha grande impacto.

A rica nação de Israel

E quanto ao homem rico? Ele representa alguém específico no mundo real? Outro detalhe importante nos ajuda a compreender o simbolismo de Jesus. Na história, o homem rico se dirigiu a Abraão como “Pai Abraão” (Lucas 16:24). Os judeus se orgulhavam de sua herança como descendentes de Abraão. Quando Jesus prometeu aos que O seguiam que Sua verdade os libertaria, eles disseram: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém” (João 8:33). No entanto, Jesus os desafiou: “Se vocês fossem filhos de Abraão, praticariam as obras de Abraão” (v. 39). Da mesma forma, o homem rico reivindicou Abraão como seu pai; isso é um indicador claro de que o homem rico é um símbolo da nação de Israel. Assim como o homem rico tinha comida em abundância, Israel possuía uma riqueza de alimento espiritual contida nas Escrituras. O apóstolo Paulo disse: “Que vantagem tem, então, o judeu? … Muita, em todos os aspectos! Principalmente porque a eles foram confiados os oráculos de Deus” (Romanos 3:1, 2). A nação judaica possuía a maior riqueza de todos os tempos: a Palavra de Deus (Deuteronômio 4:7, 8). Para enfatizar o ponto, Abraão disse ao homem rico que seus irmãos deveriam ouvir “Moisés e os profetas” (Lucas 16:29). O desejo de Deus era que os filhos de Israel compartilhassem de sua riqueza espiritual para alimentar o mundo. Logo depois de tirar os israelitas do Egito, o Senhor instruiu Moisés a lhes transmitir uma mensagem: “Diga aos filhos de Israel: ‘Vocês viram o que fiz aos egípcios, e como os carreguei nas asas de águias e os trouxe para Mim. Agora, portanto, se de fato obedecerem à Minha voz e guardarem a Minha aliança, então serão para Mim um tesouro especial acima de todos os povos; pois toda a terra é Minha. E vocês serão para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’ ” (Êxodo 19:3–6). Deus os resgatou da escravidão no Egito, os libertou com Sua lei, os alimentou com pão do céu e lhes deu a Terra Prometida. Os israelitas eram ricos — em bens materiais e espirituais. Eles não deveriam acumular essas bênçãos para si mesmos. Eles deveriam ser Seu “reino de sacerdotes” para a terra, ensinando aos cães sobre Deus. Eles deveriam ser um exemplo vivo de um relacionamento com o Senhor, ser uma luz no alto de uma colina.Assim, o homem rico representa a nação de Israel, espiritualmente rica, mas cega, que se banqueteia enquanto os gentios doentes e espiritualmente pobres definham logo fora dos portões. O homem rico compartilhou sua comida com Lázaro? O Israel espiritualmente rico compartilhou seu conhecimento de Deus com os gentios? Infelizmente, não. Felizmente, apesar do fracasso de Israel, Deus fez um plano para resgatar todas as pessoas. Isaías compartilhou esta bela profecia messiânica: “Agora o Senhor diz: … ‘É coisa pequena demais que sejas Meu Servo para levantar as tribos de Jacó. … Também te darei como luz para os gentios, para que sejas Minha salvação até os confins da terra’” (Isaías 49:5, 6). Jesus é a resposta para o problema na parábola que Ele estava apresentando!

A morte chega a todos

Por mais diferentes que Lázaro e o homem rico fossem, eles tinham uma coisa em comum: a morte. Salomão disse: “O mesmo acontece ao justo e ao ímpio; ao bom, ao puro e ao impuro; ao que oferece sacrifícios e ao que não oferece. Como é o bom, assim é o pecador” (Eclesiastes 9:2). A morte é chamada de grande equalizadora. Jó disse: “Um morre em plena força, estando totalmente à vontade e seguro. … Outro morre na amargura de sua alma, sem nunca ter comido com prazer. Ambos repousam igualmente no pó” (Jó 21:23–26). No fim de nossas vidas, ricos ou pobres, todos enfrentamos o mesmo desfecho. Isto é, até que a perspectiva eterna seja considerada. Quando se tratava de recompensas eternas, Lázaro e o homem rico voltavam a ser opostos. “Assim, o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. O homem rico também morreu e foi sepultado. E, estando em tormentos no Hades” (Lucas 16:22, 23). Matthew Henry observou que a bem-aventurança celestial das pessoas pobres e piedosas será “mais agradável para elas” por causa de suas “sofrimentos anteriores”, enquanto os “epicuristas ricos, que vivem no luxo e são impiedosos para com os pobres” descobrirão que seu tormento é “mais doloroso e terrível para eles por causa das vidas sensuais que levaram” (Comentário sobre toda a Bíblia). Isso se aplica tanto no sentido físico quanto no espiritual. Lembre-se, Jesus disse: “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mateus 20:16).

A Reversão Dramática

O pedido do homem rico revela a profundidade dessa reviravolta dramática. “Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda Lázaro molhar a ponta do dedo na água e refrescar a minha língua; pois estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:24). Antes, o homem rico tinha um banquete, enquanto Lázaro ansiava pelas migalhas — a menor porção possível. Agora, aparentemente, Lázaro tinha água em abundância, e o homem rico queria uma gota — novamente, a menor porção possível. Infelizmente, a oportunidade do homem rico de garantir a salvação já havia passado. Suas ações cotidianas neste mundo tiveram resultados eternos. “Abraão disse: ‘Filho, lembra-te de que, em vida, recebeste os teus bens, e Lázaro, os males; mas agora ele é consolado e tu estás atormentado’” (v. 25). O homem rico recusou-se a consolar os outros enquanto podia; onde estava agora, não podia ser consolado. Adam Clarke resumiu a mensagem de Abraão desta forma: “Tu buscaste teu consolo na terra, não carregaste nenhuma cruz, não mortificaste nenhum desejo da carne, não recebeste a salvação que Deus havia providenciado para ti; tu não pertencias ao povo de Deus na terra, e não podes habitar com eles na glória” (Comentário sobre o Novo Testamento). Olhando para o passado, Jesus advertiu contra viver para os prazeres temporários do pecado. “Ai de vós, ricos, pois já recebestes o vosso consolo. Ai de vós, que estais saciados, pois tereis fome. Ai de vós, que agora ríeis, pois chorareis e lamentareis” (Lucas 6:24, 25). Não seria uma proclamação terrível de se ouvir no fim da vida? No entanto, muitas vezes vivemos como se hoje e amanhã fossem os únicos dias que importam. Ao contar essa parábola, Jesus estava tentando ampliar nossa perspectiva. É como se Ele estivesse dizendo: “Dê um passo atrás. Veja toda a linha do tempo da eternidade. Suas escolhas diárias terão consequências eternas!” Às vezes, o Senhor vê exatamente o oposto do que vemos. O que nos parece sucesso pode, na verdade, ser um fracasso absoluto. Como precisamos desesperadamente do colírio que Jesus ofereceu à Sua igreja em Laodicéia para curar nossa visão!

Um Grande Abismo

Mas a repreensão de Abraão ao homem rico não terminou aí. “E, além de tudo isso, entre nós e vocês há um grande abismo fixo, de modo que aqueles que querem passar daqui para vocês não podem, nem aqueles de lá podem passar para nós” (Lucas 16:25, 26). Jesus está afirmando aqui que, depois que morrermos, não haverá troca de lados. Devemos reivindicar nossa parte no Seu reino nesta vida. O grande abismo me lembra uma história sobre Evel Knievel, o famoso dublê. Em sua carreira, o temerário arriscou a vida para saltar de moto por cima de fileiras de ônibus, caixotes de cascavéis e até mesmo um tanque cheio de tubarões. Em várias ocasiões, ele sofreu acidentes, fraturando a clavícula, um braço, uma perna ou a pelve — às vezes, várias dessas partes ao mesmo tempo. Evel era o maior caçador de emoções. Em 1974, ele chegou a amarrar um motor de foguete a uma motocicleta na tentativa de saltar sobre o Snake River Canyon, em Idaho. Com uma distância aproximada de 487 metros, o salto sobre o desfiladeiro era mais parecido com um voo. Sua motocicleta, apelidada de Skycycle X-2, estava registrada como aeronave no estado de Idaho. Mesmo assim, Evel não conseguiu realizar o salto. Seu paraquedas se abriu prematuramente no meio do salto. Isso causou tanto arrasto que empurrou a motocicleta para trás, fazendo com que Evel acabasse aterrissando no desfiladeiro, a poucos metros do rio. Evel sofreu apenas ferimentos leves, mas nunca mais tentou o salto. O Snake River Canyon era um grande abismo intransponível. Ellen White escreveu no livro Lições de Cristo que o abismo intransponível na parábola de Jesus é “um caráter desenvolvido de maneira errada”. Ela também observou: “Nesta vida, os homens decidem seu destino eterno”. Cada um de nós tem uma única vida para tomar nossa decisão a favor ou contra Deus. Cada um de nós tem uma única vida para cooperar com a obra de Deus no desenvolvimento de nosso caráter. É por isso que Deus o convida a “beber livremente da água da vida” agora, mas chegará o tempo em que Ele declarará: “Quem é injusto, que continue sendo injusto… quem é justo, que continue sendo justo” (Apocalipse 22:11, 17). Jesus deu essa advertência séria com bastante antecedência. Ele queria que todos tivessem a chance de escolher a salvação — sim, até mesmo os fariseus. Verdadeiramente, “Agora é o dia da salvação!” (2 Coríntios 6:2).

Um apelo à advertência

Anteriormente, mencionei que havia pelo menos dois temas nesta parábola, mas e se eu lhe dissesse que havia um terceiro? Desta vez, o homem rico fez um pedido em nome de seus irmãos, dizendo: “Peço-te, pois, pai, que o envies à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que ele lhes testemunhe, a fim de que também eles não venham para este lugar de tormento” (Lucas 16:27, 28). À primeira vista, isso parece um pensamento gentil e generoso. O homem rico queria que seus irmãos tomassem uma decisão melhor do que a que ele havia tomado, por isso pediu um aviso sobrenatural para eles. Ele pode ter pensado: “Lázaro, de volta dos mortos — isso levaria meus irmãos ao arrependimento”. No entanto, olhando além da superfície de suas palavras, o homem rico está, na verdade, acusando Deus de ser injusto. O homem rico estava realmente dizendo: “Se você tivesse me avisado melhor, eu não estaria no Hades! Pelo menos vá resgatar meus irmãos desses tormentos.” O que Abraão poderia dizer diante de tal acusação? Se ele concordasse em enviar Lázaro aos irmãos do homem rico, estaria confirmando a queixa contra o caráter de Deus. Seria admitir que Deus não havia dado um aviso justo. É por isso que Abraão disse ao homem rico que seus irmãos já haviam sido efetivamente avisados; não eram necessárias mais evidências e, de qualquer forma, elas não seriam levadas em conta. “Eles têm Moisés e os profetas; que os ouçam. … Se não ouvirem Moisés e os profetas, tampouco se persuadirão, mesmo que alguém ressuscite dentre os mortos” (Lucas 16:29, 31). Este terceiro tema, então, é que precisamos valorizar a verdade que Deus colocou ao nosso alcance e agir de acordo com ela. Se buscarmos a verdade, Deus nos dará as informações necessárias para fazermos as escolhas certas. Ele não nos deixará na escuridão nem nos punirá por ignorância genuína, mas devemos prestar atenção ao que está diante de nós. “O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento. Por teres rejeitado o conhecimento, eu também te rejeitarei” (Oséias 4:6).

Duas ressurreições

É claro que há uma profunda ironia nesta história: Jesus, de fato, ressuscitou um homem chamado Lázaro dentre os mortos. O Evangelho de João nos conta como isso aconteceu. Enquanto “muitos dos judeus” presentes se tornaram crentes, alguns fugiram para relatar o evento aos fariseus (João 11:45, 46). Eles, juntamente com os principais sacerdotes, realizaram uma reunião do conselho e decidiram condenar Jesus à morte. Alguns versículos depois, descobrimos que eles também planejaram matar Lázaro! (João 12:10). Jesus colocou essas palavras na boca de Abraão porque sabia que elas se revelariam verdadeiras demais. Se os fariseus e os principais sacerdotes já não tivessem dado ouvidos à Palavra de Deus, outro milagre — mesmo ressuscitar um homem dos mortos — não os levaria ao arrependimento. Deus não se opõe a realizar milagres; Ele ainda é um Deus de milagres! No entanto, Ele sabe que, se uma pessoa já escolheu ignorar Sua Palavra, ela também escolherá ignorar um milagre. Mesmo que o milagre provoque um breve arrependimento, no fim, o chamado para uma vida justa desaparecerá rapidamente. Pouco antes de Jesus ressuscitar o irmão de Marta dos mortos, Ele perguntou a ela: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” (João 11:40). Aqueles que crêem veem a glória de Deus. Aqueles que não crêem optam por não vê-la. De fato, o milagre supremo do cristianismo é que o próprio Jesus ressuscitou. No entanto, os principais sacerdotes estavam tão determinados a rejeitá-Lo que pagaram aos guardas romanos que testemunharam a ressurreição para que mentissem a respeito! Refletindo sobre a ressurreição de Jesus, Pedro escreveu: “[Nós] fomos testemunhas oculares de Sua majestade. … E assim temos a palavra profética confirmada, à qual fazeis bem em dar ouvidos como a uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações” (2 Pedro 1:16, 19). As coisas que Pedro viu com seus próprios olhos confirmaram para ele as profecias nas quais já acreditava. Por isso, ele também nos instruiu a dar ouvidos à palavra profética como a uma luz em lugar escuro. Nosso mundo é frio e escuro. Às vezes, temos dificuldade em ver como Deus vê. No entanto, a Palavra de Deus brilha como uma luz nesta escuridão. Quando confiamos em Sua Palavra e agimos de acordo com o que ela diz, estamos prestando atenção à Sua luz. E algum dia, Pedro promete, o dia amanhecerá, a estrela da manhã surgirá em nossos corações. Algum dia, veremos com olhos renovados.

Resumindo

Olhando com a perspectiva correta, podemos nos maravilhar com esta parábola incrivelmente rica. Não é uma mensagem sobre a vida após a morte — é um chamado comovente de Jesus aos espiritualmente ricos e aos espiritualmente pobres. Lázaro, desesperado e faminto pela palavra de Deus, é um símbolo dos gentios. Ele morre e é conduzido pelos anjos ao lugar definitivo de recompensa para os judeus: o seio de Abraão. Por outro lado, o homem rico, um símbolo da nação judaica, encontra-se atormentado no destino dos gentios para os perdidos: o Hades. Ao ler esta parábola e compartilhar seu significado, lembre-se de seus três temas importantes. Primeiro, estamos tomando decisões eternas todos os dias. O homem rico, ao escolher acumular sua riqueza, revelou o estado de seu coração não convertido. Seu mau uso das bênçãos e sua negligência em relação à realidade espiritual tiveram resultados trágicos. Como disse Jesus: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua própria alma? Ou o que o homem dará em troca da sua alma?” (Mateus 16:26). Segundo, Deus vê de maneira diferente do que nós vemos. As pessoas podem supor que o homem rico era mais bem-sucedido do que Lázaro, mas não segundo o Senhor. Lázaro desejava desesperadamente alimento espiritual. Ele sabia que estava doente e pobre. Assim, aos olhos de Deus, esse homem era, na verdade, mais bem-sucedido do que aquele que tinha tudo e usava tudo de forma frívola e egoísta. Em terceiro lugar, Deus já nos deu tudo o que precisamos para fazer nossa escolha a favor ou contra Ele; precisamos simplesmente prestar atenção. Nossa crença em Sua Palavra será um fator determinante para nossa salvação. Como vimos, Jesus dirigiu essa parábola, pelo menos em parte, aos fariseus. O amor deles pelo dinheiro e pelo mundo material era um problema; o acúmulo egoísta de tesouros espirituais era outro. O mundo gentio estava faminto por salvação, e Deus não os deixaria morrer de fome. Seu plano inicial era que a nação judaica compartilhasse suas riquezas, mas, mesmo que isso não tivesse acontecido, Deus ainda tinha um plano para levar a oferta da salvação a todas as pessoas: Jesus, o Filho do Deus vivo. E quanto aos cristãos de hoje? Percebemos a importância de nossas decisões diárias? Estamos buscando as realidades espirituais? Acreditamos nas advertências que Deus nos deu em Sua Palavra? Estamos compartilhando nossa riqueza espiritual e temporal com as pessoas espiritualmente e fisicamente famintas ao nosso redor? Em 19 de abril de 1995, o Edifício Federal em Oklahoma City foi bombardeado, resultando na morte de 168 pessoas. Três homens foram finalmente presos e julgados pelo que continua sendo o pior ato de terrorismo doméstico nos Estados Unidos. Eles eram Timothy McVeigh, Terry Nichols e Michael Fortier. Timothy McVeigh foi considerado culpado e condenado à morte. Terry Nichols foi considerado culpado como co-conspirador e condenado à prisão perpétua. O terceiro réu, Michael Fortier, foi considerado culpado e condenado a pagar uma multa de US$ 200.000 e cumprir doze anos de prisão. Ele não foi considerado culpado de fabricar, instalar ou detonar a bomba. Seu crime foi saber que pessoas estavam prestes a morrer e não informar ninguém. Você vê um Lázaro morrendo de fome à sua porta? Vá ajudá-lo