Um abrigo contra tempestades

Um abrigo contra tempestades

por Pastor Doug Batchelor

Um fato surpreendente: em 20 de maio de 2013, um tornado aterrorizante assolou Moore, Oklahoma, com ventos que atingiram picos de mais de 320 km/h. Durante os trinta e nove minutos em que esteve em terra, ele abriu um caminho de 2,1 km de largura e 27,4 km de comprimento, matando vinte e quatro pessoas e ferindo 377. Apenas cerca de 10% das casas em Moore possuíam abrigos contra tempestades, e apenas duas das trinta e uma escolas da cidade. Quando a Escola Primária Plaza Towers foi atingida diretamente, sete crianças morreram.


Se você quiser puxar conversa com um estranho, uma das maneiras mais fáceis é falar sobre o tempo — especialmente quando se trata de condições severas. Condições climáticas perigosas afetam dezenas de milhares de vidas nos Estados Unidos a cada ano — inundações, quedas de raios, furacões, nevascas e tornados.

Somente os tornados ferem, em média, 1.500 pessoas por ano e causam oitenta mortes. Grandes tornados podem arrancar casas de suas fundações, derrubar árvores, demolir grandes edifícios e arremessar veículos a centenas de metros. Os estados com o maior número de tornados EF5, o tipo mais poderoso, incluem o Alabama e Oklahoma, com uma média de sete por ano.

Está chegando o tempo em que os cristãos que vivem hoje devem fugir

Outra tempestade está chegando
Um medo crescente entre muitos é o de uma tempestade que se aproxima, além de qualquer imaginação. Alguns profetas do fim do mundo prevêem um holocausto nuclear do qual apenas os preparadores escondidos em bunkers subterrâneos sobreviverão. Outros antecipam um colapso tecnológico que permitirá que a anarquia total prevaleça.

Algumas empresas estão lucrando com esses medos apocalípticos, vendendo bunkers especiais por um preço alto. Esses condomínios subterrâneos à prova de bombas podem abrigar até 1.000 pessoas por mais de um ano e estão escondidos sob as pradarias do Meio-Oeste. Eles estão vendendo como pão quente.

Veja como uma empresa está motivando algumas pessoas a comprar seus abrigos de sobrevivência:

“Todos nós já ouvimos as profecias do ‘Fim dos Tempos’. A Bíblia nos adverte sobre isso. Nostradamus previu isso… e profetas ao longo dos tempos todos alertam sobre as mesmas catástrofes globais épicas. … Fomos alertados sobre o Armagedom, Nibiru/Planeta X, uma mudança repentina nos pólos, pragas futuras, um raio solar letal, uma erupção vulcânica gigantesca. … Não sabemos o que, quando ou onde a catástrofe acontecerá; mas, quer queiramos acreditar ou não, é provável que aconteça. É apenas uma questão de tempo. Não podemos negar que estamos à beira de um aumento no número e na magnitude de eventos que podem, num piscar de olhos, mudar o mundo como o conhecemos. … Milhões perecerão, ou pior ainda, lutarão para sobreviver como vítimas. … O que você fará? Será uma vítima ou um sobrevivente? A Vivos é a sua solução para enfrentar e sobreviver a essas catástrofes em potencial.”

Mas será que um bunker irá protegê-lo do apocalipse bíblico? João Batista disse: “Raça de víboras! Quem vos advertiu a fugir da ira vindoura?” (Lucas 3:7). Em outras palavras: “Você pode fugir, mas não pode se esconder da Segunda Vinda!”

A Bíblia fala de um dia em que a ira de Deus será “derramada com toda a sua força” (Apocalipse 14:10). Quer você esteja na Estação Espacial Internacional ou no abrigo mais profundo sob uma montanha, não poderá isolar-se do Dia do Senhor. Outro profeta descreveu os esforços infrutíferos de tentar escapar naquele dia: “Será como se um homem fugisse de um leão e se deparasse com um urso!” (Amós 5:19).

Ainda assim, o Senhor nos instrui a nos esconder — por um tempo. “Meu povo, entra em teus aposentos e fecha as portas atrás de ti; esconde-te, por assim dizer, por um breve momento, até que a indignação passe” (Isaías 26:20). O que devemos entender disso?

Planejamento sensato
Os cristãos podem se sentir em conflito quanto à preparação para o tempo do fim. Queremos confiar no Senhor, mas também queremos nos preparar de maneira pragmática. O que devemos fazer com nossas economias? Onde devemos morar? Alguns venderam suas casas na cidade e se mudaram para o campo — apenas para descobrir que não conseguiam ganhar a vida e tiveram que voltar para a cidade.

Uma mentalidade de “bunker” se desenvolveu entre alguns cristãos, levando-os a correr para se esconder como cães-da-pradaria — eles estão sempre se escondendo no subsolo, temendo o pior a cada notícia de última hora. Acho que o diabo gosta de nos assustar com o fim dos tempos para que entremos em pânico e abandonemos a obra de Deus. É por isso que, antes de fazer qualquer mudança drástica, precisamos orar pedindo a orientação de Deus.

Ao mesmo tempo, devemos nos planejar com sabedoria para o tempo do fim. É sempre bom investir cuidadosamente nosso dinheiro para emergências, mas não devemos acumular nossos recursos. E se você mora na cidade, ter um terreno no campo como um possível refúgio em caso de crise nacional não é uma má ideia, mas não deixe seu emprego e fuja para as montanhas por impulso depois de ler uma notícia assustadora. Se Deus não abriu uma porta para você, Ele pode querer usá-lo exatamente onde você está.

A história de Neemias nos dá equilíbrio para viver em tempos difíceis. Quando Deus chamou Neemias para reconstruir os muros de Jerusalém, ele enfrentou forte oposição. A última coisa que o diabo queria que ele fizesse era reconstruir a capital como um farol para o reino de Deus. Os vizinhos dos israelitas chegaram a ameaçá-los com guerra.

Em um momento crítico, Neemias soube que alguém estava planejando seu assassinato e que lhe aconselharam a se esconder. Mas Neemias se recusou a ceder, acreditando que Deus havia milagrosamente aberto uma porta para que ele reunisse o povo para reconstruir Jerusalém. (Veja Neemias 6:11.) Assim, não era a vontade de Deus que seu servo fugisse e se escondesse em um bunker.

Quando o apóstolo Paulo foi advertido a não ir a Jerusalém por medo da prisão e da perseguição que o aguardavam, ele respondeu: “Estou pronto não apenas para ser preso, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (Atos 21:13). Ele arriscou tudo para tornar o evangelismo uma prioridade.

Satanás se deleita em fazer com que os cristãos se isolem para salvar a própria pele, perdendo sua influência como sal e luz no mundo. Não caia na armadilha dele!

Um tempo para fugir
Haverá, porém, um tempo em que devemos buscar abrigo. Jesus advertiu Seus seguidores sobre a destruição vindoura de Jerusalém: “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos, sabei então que a sua desolação está próxima. Então, aqueles que estiverem na Judéia fujam para as montanhas” (Lucas 21:20, 21). Ele acrescentou: “Quem estiver no telhado não desça para tirar nada de casa” (Mateus 24:17). Foi como o conselho que os anjos deram a Ló ao fugir de Sodoma: “Foge para salvar a vida! Não olhes para trás” (Gênesis 19:17).

Está chegando um tempo em que os cristãos que vivem hoje terão de fugir da sociedade. Qual será o nosso sinal para correr? Quando os poderes seculares “cercarem” o povo de Deus com leis religiosas e nos privarem da liberdade de adorar.

Esse tempo ainda não chegou. E, até lá, os cristãos não devem dar o alarme à toa. Ainda somos livres para adorar e proclamar a verdade de Deus. Assim como Neemias e Paulo, devemos ter cuidado para não permitir que o diabo nos assuste a ponto de nos afastarmos da obra que Deus colocou diante de nós. Satanás sabe que agora é o melhor momento para os cristãos testemunharem a favor de Jesus. As pessoas estão vivendo com medo e buscando respostas. Este não é o momento de se esconder como esquilos em um bunker subterrâneo.

Após sua vitória triunfante no Monte Carmelo, Elias ficou assustado com uma mensagem ameaçadora de Jezabel. Sem consultar o Senhor e pensando que sua única prioridade era salvar a si mesmo, ele fugiu para o deserto. Mas Deus o enviou de volta a Israel para dar continuidade ao avivamento. Quando os cristãos pensam em salvar a si mesmos, eles não apenas deturpam a vida sacrificial de Jesus, mas também perdem uma enorme oportunidade de testemunhar. Tal comportamento egocêntrico é um desperdício catastrófico de oportunidades evangelísticas. Quando as pessoas do mundo estão buscando segurança contra a tempestade que se aproxima, precisamos estar lá para apontá-las para Cristo, o único refúgio que as protegerá no final. Não podemos fazer isso se estivermos escondidos em um bunker.

Temos abrigo
Quando os israelitas eram escravos no Egito, Moisés exigiu que o Faraó libertasse o povo de Deus. Quando o rei teimosamente se recusou, as pragas começaram a cair, mas Deus protegeu o povo hebreu durante a tempestade.

A última praga a atingir o Egito foi a morte dos primogênitos. Deus explicou que essa praga trágica e assustadora precisava acontecer antes que Seu povo fosse libertado — e que havia apenas uma maneira de eles se abrigarem durante esse julgamento.

A Páscoa foi dada como um sinal do poder salvador de Deus. Depois que um cordeiro sem defeito foi sacrificado, seu sangue foi colocado nos “dois umbrais e na verga das portas das casas” (Êxodo 12:7). Então, durante a refeição, “O Senhor passará para ferir os egípcios; e quando Ele vir o sangue na verga e nos dois umbrais, o Senhor passará por cima da porta e não permitirá que o destruidor entre em vossas casas para vos ferir” (versículo 23).

As experiências do antigo Israel são um prenúncio da proteção de Deus para o Israel espiritual — a igreja de hoje. O Apocalipse descreve pragas que se abatem sobre a terra. Assim como os israelitas, o povo de Deus será protegido das “taças da ira” (Apocalipse 16:1) e “sairá da grande tribulação”, pois “lavou as suas vestes e as branqueou no sangue do Cordeiro” (7:14). Por meio do sangue de Cristo, podemos ser imunizados contra as sete últimas pragas e protegidos do anjo da morte.

Assim como os hebreus permaneceram sob o sangue do cordeiro dentro de suas casas, devemos permanecer sob o sangue de Cristo. Se os israelitas saíssem de suas casas, afastando-se do abrigo do cuidado de Deus, eram atingidos pela praga. Mas no abrigo do Senhor, eles não tinham nada a temer. Nem você!

Protegidos na Arca
Talvez a história bíblica mais famosa sobre um abrigo seja a da arca de Noé, na qual ele e sua família puderam se esconder da maior tempestade que já atingiu a Terra. Imagino que aquela tempestade tivesse de tudo — erupções vulcânicas, terremotos, ventos uivantes, chuva torrencial, relâmpagos e trovões estrondosos. “Ele destruiu todos os seres vivos que havia sobre a face da terra: tanto homens quanto gado. … Somente Noé e aqueles que estavam com ele na arca permaneceram vivos” (Gênesis 7:23). Foi a tempestade dos tempos!

Mal podemos imaginar a intensidade horrível que matou todos os seres vivos. Os tsunamis catastróficos de nossos dias simplesmente não se comparam ao que Noé e sua família viveram. Como um barco de madeira poderia proteger aqueles oito contra as forças explosivas da natureza que abalaram os alicerces da Terra? Foi preciso mais do que piche e madeira para proporcionar um abrigo à prova de tempestades; sabemos que foi necessário o cuidado milagroso de Deus.

Essa história se repetirá. “Como foram os dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:37). Um dia o mundo será destruído pelo poder de Sua vinda. Existe algum abrigo à prova de tempestades que irá protegê-lo desse dia? Nada feito pelos humanos o fará, pois “os céus passarão com grande estrondo, e os elementos se derreterão com calor ardente; tanto a terra como as obras que nela há serão queimadas” (2 Pedro 3:10).

Assim, para o cristão, a segurança não se encontra em um lugar, mas em uma pessoa — Jesus Cristo. Gosto da maneira como Isaías descreve isso: Cristo “será como um refúgio contra o vento e um abrigo contra a tempestade, como rios de água em lugar árido, como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta” (Isaías 32:2). Encontramos nosso abrigo definitivo contra a tempestade ao nos escondermos em Jesus.

O rei Davi expressou isso da seguinte maneira: “Ouve o meu clamor, ó Deus; atende à minha oração. Do fim da terra clamarei a Ti, quando o meu coração estiver oprimido; conduz-me à rocha que é mais alta do que eu. Pois Tu tens sido um abrigo para mim, uma torre forte contra o inimigo. Habitarei para sempre no teu tabernáculo; confiarei no abrigo das tuas asas” (Salmo 61:1–4).

Corrie ten Boom, uma cristã holandesa que sobreviveu ao Holocausto da Segunda Guerra Mundial, encontrou em Cristo seu protetor enquanto lutava para sobreviver com sua irmã Betsie em um campo de concentração nazista. Seu famoso livro, O Refúgio, recebeu esse nome em homenagem a um de seus versículos bíblicos favoritos: “Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na Tua palavra” (Salmo 119:114). Durante a guerra, Corrie perguntou certa vez à irmã se elas algum dia poderiam se sentir seguras novamente. Betsie, que morreria no Campo de Concentração de Ravensbrück apenas dois dias antes da libertação, respondeu: “O lugar mais seguro do mundo é estar no centro da vontade de Deus.”

Pouco antes da volta de Cristo, quando o mundo estiver em turbulência e as forças de Satanás estiverem empenhadas em destruir todo o povo de Deus, você não precisa ter medo. Seu abrigo mais seguro contra a tempestade será fazer a vontade de Deus. Não fuja nem se esconda antes desse tempo. Temos uma obra importante a realizar: guiar as pessoas amedrontadas para os braços seguros de Jesus.

Vamos nos preparar para as tempestades que se aproximam, permanecendo sob o sangue do Cordeiro!


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