Em breve: O Reino Magnífico
Um facto surpreendente: Inquéritos revelam que cerca de 75% das pessoas na América do Norte acreditam no céu, mas apenas cerca de 23% acreditam no inferno. Talvez ainda mais surpreendente seja o facto de, entre aqueles que acreditam no céu, quase 90% acreditarem que vão para lá. Estas estatísticas dizem-nos algo importante sobre o coração humano …
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No fundo, as pessoas sentem que a vida tem de conduzir a algo melhor do que o sofrimento e a morte que vivemos todos os dias neste planeta doente de pecado. Existe dentro de nós um anseio por um mundo que seja saudável, alegre e permanente.
Bem, a Bíblia explica porquê: Deus «colocou a eternidade nos seus corações» (Eclesiastes 3:11).
Mas, embora muitas pessoas acreditem no céu, há muita confusão sobre o que ele realmente é.
É claro que a cultura popular costuma ridicularizar a ideia de um céu cristão — retratando as pessoas como seres etéreos com harpas a flutuar em nuvens fofas ou bebés alados a vaguear pelo céu. Outros ainda pensam que o céu não passa de uma ideia poética destinada a confortar as pessoas em tempos difíceis.
A Bíblia, no entanto, descreve algo muito mais concreto e maravilhoso. A palavra «céu» aparece centenas de vezes, mas quando nos concentramos especificamente no lugar onde Deus habita e onde os redimidos viverão, ainda existem bem mais de uma centena de passagens.
O céu não é imaginário. Não é meramente simbólico. Os escritores da Bíblia tratam-no como um reino real preparado por um Salvador real para pessoas reais que O amam.
Jesus disse claramente: «Na casa do meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, eu ter-vos-ia dito. Vou preparar-vos lugar» (João 14:2). Cristo não disse que estava a preparar uma vaga experiência espiritual. Ele disse que estava a preparar um lugar. Isso significa que o céu é tangível. E se Jesus o prometeu, podemos ter a certeza de que é verdade.
Por isso, vamos aprender mais sobre isso…
Um vislumbre do céu na terra
Na Bíblia, uma das imagens mais próximas do céu encontra-se durante o reinado do rei Salomão. Se tivéssemos de escolher o momento em que Israel viveu a sua maior glória terrena, seria provavelmente durante os primeiros anos de Salomão como rei.
Foi como um pequeno momento de céu na Terra.
O templo acabara de ser construído. Lembre-se de que Deus tinha dito a Davi que ele não poderia construí-lo porque tinha sido um homem de guerra, mas Salomão, um nome relacionado com a palavra shalom, que significa paz, foi autorizado a concluí-lo durante um período de paz (1 Crónicas 22:8, 9).
Jerusalém também florescia em riqueza e beleza. A Bíblia diz-nos que havia ouro por toda a parte, e a prata tornou-se tão abundante que era «considerada como nada» (1 Reis 10:21). Israel desfrutava de paz em todas as suas fronteiras, e pessoas de nações distantes vinham para conhecer o Deus do céu.
Entre elas estava a famosa Rainha de Sabá. Ela viajou de um país distante com uma enorme caravana carregada de especiarias, ouro e pedras preciosas. É claro que ela não veio apenas para admirar a beleza. Ela também queria descobrir a fonte da sabedoria de Salomão.
Ainda assim, a Bíblia diz que, quando ela viu o templo, o palácio e o serviço organizado do reino de Salomão, «ficou sem fôlego» (1 Reis 10:5). Por outras palavras, ficou sem fôlego! Tudo o que tinha ouvido sobre Salomão era impressionante, mas a realidade era muito maior.
Ela finalmente exclamou: «Na verdade, nem metade me foi contada» (1 Reis 10:7). Isso lembra-me 1 Coríntios 2:9: «O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem subiu ao coração do homem, são as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam.»
Uma Cidade Preparada por Deus
A Bíblia descreve frequentemente o céu como uma cidade. De facto, diz-nos claramente que Deus «lhes preparou uma cidade» (Hebreus 11:16).
Isso pode ser chocante, porque quando pensamos em cidades, imaginamos trânsito, ruído, crime, mundanismo e poluição. Vemos isso claramente — quando um grande número de pessoas egoístas se reúne num só lugar, haverá problemas sem fim. O desafio das cidades não é o planeamento ou a arquitetura; é o pecado!
No céu, não haverá ganância, violência nem injustiça. Imagine uma cidade onde todos os cidadãos amam a Deus acima de tudo e amam o próximo como a si mesmos. Esse é o tipo de cidade que João viu na sua visão: «Eu, João, vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, a descer do céu, vinda de Deus» (Apocalipse 21:2).
Repare que ele a chama de Nova Jerusalém. Significa “cidade da paz” (novamente, de shalom). Jerusalém era o centro de adoração do povo de Deus. Era onde ficava o templo, o lugar onde a presença de Deus era simbolicamente revelada. A Nova Jerusalém representa o cumprimento definitivo do plano de Deus — um lugar onde a paz finalmente reinará. Após milhares de anos de conflito e sofrimento, o povo redimido de Deus viverá numa verdadeira “cidade da paz”, onde o pecado e a tristeza nunca mais entrarão.
A Cidade Gloriosa
As Escrituras fornecem vários detalhes fascinantes sobre esta cidade.
Por um lado, o Apocalipse diz que a cidade mede «doze mil estádios» de comprimento, largura e altura (Apocalipse 21:16). Em termos modernos, isso equivale a cerca de 2 400 km de perímetro, ou cerca de 600 km de cada lado. É maior do que o Novo México! E como a cidade é descrita como um cubo — com comprimento, largura e altura iguais —, pode atingir 600 km de altura. Quaisquer que sejam as dimensões exatas, a mensagem é clara: o reino de Deus será vasto e haverá espaço de sobra para todos os que aceitarem o convite de Cristo.
João também escreve que esta cidade tem «um grande e alto muro com doze portas, e doze anjos nas portas» (v. 12). Repare que o número doze aparece repetidamente na descrição — doze portas, doze fundações e os nomes dos doze apóstolos escritos nelas.
Isto não é por acaso. Ao longo das Escrituras, o número doze está ligado ao povo de Deus e ao Seu reino. No Antigo Testamento, Deus construiu a nação de Israel em torno de doze tribos, os descendentes dos filhos de Jacó. No Novo Testamento, Jesus escolheu doze apóstolos para representar o fundamento da Sua igreja. A Nova Jerusalém reflete essa mesma ordem divina. A cidade representa a família completa de Deus — os redimidos de todas as gerações que O seguiram.
Alguns estudiosos da Bíblia observam que o doze é divisível de várias maneiras — por dois, três, quatro e seis —, tornando-o um número ideal para construção e organização. Deus é um Criador de ordem, não de confusão (1 Coríntios 14:33). O uso repetido do número doze na Nova Jerusalém lembra-nos que o céu será um lugar de estrutura perfeita, equilíbrio e unidade entre o povo de Deus.
A Bíblia revela que cada porta é feita de uma única pérola: «As doze portas eram doze pérolas: cada porta individual era de uma pérola» (Apocalipse 21:21). Uma pérola é criada quando um minúsculo grão de areia ou outro irritante entra numa ostra. A ostra responde cobrindo essa irritação com camadas de uma substância bela até que, com o tempo, se torne uma pérola.
Num certo sentido, uma pérola nasce do sofrimento.
Da mesma forma, o pecado entrou neste mundo como uma irritação dolorosa na criação perfeita de Deus. Mas, através do sacrifício de Cristo, essa tragédia está a ser transformada em algo glorioso. Assim como a ostra cobre a irritação e produz uma pérola, Jesus cobre o nosso pecado e produz a redenção.
É apropriado, então, que os portões da Nova Jerusalém sejam feitos de pérola. Cada pessoa que entrar nessa cidade fá-lo-á por causa do sacrifício de Cristo. Os próprios portões permanecerão para sempre como uma lembrança de que o céu só é possível porque Jesus pagou o preço pela nossa salvação.
Também adoro este pormenor: «A rua da cidade era de ouro puro, como vidro transparente» (v. 21). Neste mundo, os homens travam guerras por causa do ouro. Escondem-no em cofres. Mas no céu, Deus usa ouro puro como material de pavimentação. Isso deve lembrar-nos que as coisas que mais valorizamos na Terra não são nem de longe tão valiosas como poderíamos acreditar.
O rio e a árvore da vida
A fluir pela Nova Jerusalém está algo ainda mais belo do que ruas de ouro: «Mostrou-me um rio puro de água da vida, límpido como cristal, que brotava do trono de Deus e do Cordeiro» (Apocalipse 22:1).
Toda a vida depende da água. Sem ela, nada sobrevive. Na terra renovada, a fonte da vida será este magnífico rio que flui do trono de Deus. Não é de admirar que Jesus se chame a Si mesmo a água da vida — uma fonte de hidratação espiritual que dá vida (João 4:14).
Ao longo das margens deste rio poderoso cresce a árvore da vida. “De cada lado do rio estava a árvore da vida, que dava doze frutos, cada árvore produzindo o seu fruto todos os meses” (Apocalipse 22:2). Mais uma vez, repare no número doze!
Esta é a mesma árvore da qual Adão e Eva foram proibidos de comer depois de o pecado ter entrado no mundo. A humanidade foi expulsa do Éden para que não comesse da árvore da vida e vivesse para sempre no pecado (Génesis 3:22–24). Mas a história fecha o círculo no Apocalipse. Os redimidos são restaurados ao jardim e, mais uma vez, recebem acesso à árvore da vida. “Bem-aventurados aqueles que cumprem os Seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar pelas portas na cidade” (Apocalipse 22:14).
Por que razão uma árvore é acessível de ambos os lados do rio? A imagem que João descreve parece ser uma árvore maravilhosa que se estende pela margem do rio, arqueando-se sobre a água de modo que os seus ramos se estendem para ambos os lados. Acredito que isto se destina a transmitir que a árvore será acessível a todos no reino de Deus. Ninguém será excluído do dom da vida eterna.
João também diz: “As folhas da árvore serviam para a cura das nações” (Apocalipse 22:2). Isto não significa que as pessoas ficarão doentes no céu. Sim, simboliza a restauração completa da humanidade. As divisões que agora separam as nações — raça, língua, política e cultura — serão sanadas para sempre. Os redimidos de todas as nações serão uma única família sob Deus.
Um Mundo Sem Sofrimento
Uma das promessas mais reconfortantes sobre o céu aparece em Apocalipse 21:4: “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos; não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro.”
Pense na tristeza que preenche o nosso mundo hoje — quartos de hospital, funerais, relacionamentos desfeitos e memórias dolorosas. A Bíblia diz que essas coisas não existirão no reino de Deus.
Isaías descreve-o com linguagem vívida: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos serão destapados. Então os coxos saltarão como um veado” (Isaías 35:5, 6).
Aqueles que nunca viram contemplarão a beleza da criação de Deus. Aqueles que não podiam ouvir ouvirão os cânticos dos anjos. Aqueles que eram aleijados correrão e saltarão de alegria.
Outra promessa declara: “O habitante não dirá: ‘Estou doente’” (Isaías 33:24). Imagine um mundo sem doenças, sem hospitais e sem dor. A Bíblia chama o céu de um lugar onde “as coisas anteriores já passaram” (Apocalipse 21:4).
Esta restauração incluirá também o reino animal. Isaías pinta um quadro notável de harmonia entre criaturas que hoje são inimigas: “O lobo habitará com o cordeiro, o leopardo deitar-se-á com o cabrito, … e uma criança pequena os conduzirá” (Isaías 11:6).
O profeta continua dizendo que até o leão comerá palha como o boi (v. 7). A violência e o medo que dominam a natureza hoje desaparecerão quando Deus restaurar a terra à sua condição original. Nada ferirá ou destruirá no reino de Deus (v. 9).
Corpos Glorificados
Às vezes, as pessoas imaginam o céu como uma existência fantasmagórica onde vagamos sem corpos reais, mas a Bíblia ensina algo muito diferente.
Quando Jesus ressuscitou dos mortos, Ele apareceu aos Seus discípulos e convidou-os a tocar-Lhe. Ele disse: «Um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho» (Lucas 24:39). Cristo chegou mesmo a comer com eles para demonstrar que era verdadeiramente tangível. O apóstolo Paulo explica que os crentes receberão um corpo semelhante ao corpo ressuscitado de Cristo. «O Senhor Jesus Cristo… transformará o nosso corpo humilde para que se torne semelhante ao seu corpo glorioso» (Filipenses 3:20, 21).
No céu, não seremos espíritos sem corpo. Viveremos, comeremos, caminharemos, falaremos e exploraremos as maravilhas da criação de Deus em corpos perfeitos e imortais.
As pessoas perguntam-se frequentemente se reconheceremos os nossos entes queridos no céu com corpos totalmente novos. A Bíblia sugere fortemente que sim. Paulo escreve: «Agora conheço em parte, mas então conhecerei tal como também sou conhecido» (1 Coríntios 13:12).
O céu não diminuirá a nossa compreensão; aumentará o nosso discernimento. Os redimidos terão mentes mais claras e uma perspicácia mais profunda do que nunca. O reencontro com a família e os amigos que amam a Cristo será uma das maiores alegrias da eternidade.
A Maior Alegria do Céu
Ruas de ouro, o rio da vida e saúde perfeita são promessas maravilhosas. No entanto, a maior bênção do céu é ainda mais profunda.
O Apocalipse declara: «O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus» (21:3).
Durante milhares de anos, o pecado separou a humanidade da presença direta de Deus. Mas na nova terra, essa separação desaparecerá para sempre. Os redimidos verão o seu Criador face a face e habitarão na Sua presença. «Na Tua presença há plenitude de alegria; à Tua direita há prazeres para sempre» (Salmo 16:11).
A Bíblia também faz uma promessa solene. O Apocalipse diz que nada pecaminoso entrará na cidade: “De modo algum entrará nela qualquer coisa que a contamine” (Apocalipse 21:27). O pecado foi o que trouxe o sofrimento ao universo. Deus nunca permitiria que ele ressurgisse.
É por isso que Jesus veio a este mundo — para perdoar o pecado e transformar vidas. Quando uma pessoa aceita Cristo, a Bíblia diz que ela se torna uma nova criatura (2 Coríntios 5:17). Deus começa a prepará-la para o reino que Ele prometeu.
Jesus resumiu o segredo da vida numa simples instrução: “Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça” (Mateus 6:33). Quando fazemos do reino de Deus a nossa primeira prioridade, tudo o resto se encaixa no seu devido lugar.
Um Final Glorioso
A história da Bíblia começa num belo jardim, onde humanos felizes deram ouvidos a uma serpente maligna e perderam o acesso à árvore da vida. Termina com a serpente destruída e o paraíso restaurado, onde os redimidos voltam a comer daquela árvore e vivem para sempre.
Entre essas duas cenas ergue-se a cruz de Cristo, onde Jesus deu a Sua vida para que pudéssemos entrar nesse reino eterno.
A boa notícia é que Deus quer que cada um de nós esteja lá. O céu não está reservado para uma elite restrita. É oferecido a qualquer pessoa, a quem quer que confie em Cristo e O siga. Aceitará esse convite celestial? Quando finalmente atravessar aqueles portões de pérolas e entrar na cidade de Deus, poderá olhar à sua volta com admiração e dizer as mesmas palavras que a Rainha de Sabá disse outrora: «Não me foi contada nem metade.»