Ao recuperar a mesquita, a Turquia agita as águas
Há quase 1.500 anos, a Hagia Sophia ergue-se como um símbolo de fé no coração de Istambul, a cidade turca outrora conhecida como Constantinopla, em homenagem ao imperador romano Constantino.
Originalmente construída como uma catedral cristã — e, por quase 1.000 anos, a maior estrutura desse tipo no mundo —, a Hagia Sophia (conhecida como “Santa Sofia” pelos católicos romanos) tornou-se então uma mesquita islâmica.
Em 1935, após uma reforma que destacou suas raízes cristãs, foi então designada como museu. Nos 85 anos seguintes, cerca de 3,7 milhões de turistas por ano visitaram o vasto edifício.
Em 1985, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) designou a Hagia Sophia como Patrimônio Mundial, um marco histórico e culturalmente significativo de status internacional.
Mas agora ela está sendo reconvertida em uma mesquita funcional. A mudança começou em julho de 2020, quando um tribunal turco determinou que o status do local, definido em 1931, era ilegal. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que há muito defende que o edifício volte a ser um centro de culto muçulmano, marcou seu primeiro serviço de oração para 24 de julho.
A reação global foi imediata. O Papa Francisco, líder espiritual dos católicos romanos do mundo, disse: “Meus pensamentos estão com Istambul. Penso em Santa Sofia e sinto-me muito triste.”
O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, também condenou a decisão: “Com essa medida retrógrada, a Turquia está optando por romper os laços com o mundo ocidental e seus valores.”
Josep Borrell, que lidera a política externa da União Europeia (UE), composta por 27 membros, foi mais enfático: “Esta decisão inevitavelmente alimentará a desconfiança, provocará uma nova divisão entre as comunidades religiosas e minará nossos esforços de diálogo e cooperação. Houve um amplo apoio [entre os membros da UE] para exortar as autoridades turcas a reconsiderarem urgentemente e reverterem essa decisão.”
Escrevendo no Washington Post, a historiadora Judith Herrin, professora emérita do King’s College London, aprofundou as ramificações dessa perda: “Transformar esse edifício incomparável novamente em um local de culto ameaça o acesso livre a uma estrutura magnífica e às inestimáveis decorações em mosaico do edifício. Ao restringir o acesso ao maior legado histórico de Istambul, Erdogan ataca as tradições cosmopolitas que fazem da cidade e da própria Turquia uma encruzilhada para o mundo. É um ato de limpeza cultural.”
Ela acrescentou: “A Hagia Sophia pertence ao mundo. Seu destino não é apenas uma questão, como Erdogan insiste defensivamente, de soberania turca.”
Tensões políticas e religiosas subjacentes
Durante seus anos no poder, Erdogan tem conduzido de forma constante a nação eurasiana para longe de ser um Estado islâmico secular. Sua veemência decorre, em parte, da necessidade de reforçar sua posição política, bem como da crença de que a Turquia deve desempenhar um papel de liderança no mundo muçulmano.
Erdogan também não tem receio de divulgar suas aspirações de longo alcance. Parece que ele voltou suas atenções para Israel. A CBN News relatou: “Em uma postagem no Facebook, ele disse que o ‘renascimento de Hagia Sophia é um sinal do retorno da liberdade à mesquita de al-Aqsa’ em Jerusalém.” “Mesmo antes de seu discurso [sobre a reconversão de Hagia Sophia], multidões se reuniram do lado de fora de Hagia Sophia entoando ‘Em frente para Jerusalém!’”, corroborou a National Review.
A CBN News continuou: “Ele também disse que a ressurreição de Hagia Sophia ‘é uma saudação do nosso coração a todas as cidades, de Bucara à Andaluzia’. Bucara fica no atual Uzbequistão e a Andaluzia na atual Espanha. Ambas são referências ao sonho islâmico de recuperar terras que outrora estiveram sob o domínio do Islã.”
A Bloomberg destacou o reconhecimento da “demonstração de força geopolítica turca, incluindo a exploração de energia ao largo de Chipre, uma operação militar no norte da Síria para criar uma zona tampão e um acordo de fronteira marítima com a Líbia.”
O fato de Hagia Sophia ter sido originalmente construída como uma catedral cristã não passa despercebido pela cristandade.
Mas o fato de Hagia Sophia ter sido originalmente construída como uma catedral cristã não passa despercebido pela cristandade. Algumas organizações estão vendo sua confiscação não apenas como uma manobra para obter domínio, mas como uma ação deliberada contra o cristianismo.
A Fox News noticiou: “A Fundação Genesis 123, com sede em Israel, chamou isso de ‘um ataque direto aos cristãos e à herança cristã no Oriente Médio’”. E a National Review considerou isso um exemplo da “marca malévola de nacionalismo islâmico neo-otomano” de Erdogan, um ataque ao “acesso dos cristãos a um de seus maiores locais sagrados”.

Não se engane: o conflito atual entre duas das grandes religiões do mundo continua a crescer. Você sabia que essa é uma batalha cujas origens — e, o que é ainda mais fascinante, suas conclusões — se encontram nas páginas das Escrituras? Para compreender melhor esse choque de civilizações entre o Islã e o cristianismo, a série em três partes do pastor Doug Batchelor sobre o Islã, o cristianismo e a profecia é um ótimo ponto de partida. Você pode se surpreender com o desfecho — e com o que Jesus “preparou para aqueles que O amam” (1 Coríntios 2:9).
Nota especial: Alguns comentaristas cristãos evangélicos, acreditando erroneamente que o Islã é o Anticristo, dizem que as ações de Erdogan são um sinal de um “arrebatamento secreto” iminente, no qual Jesus levará os crentes para o céu antes de retornar à Terra pela segunda vez. Mas a Bíblia é clara: isso não existe. O retorno de Jesus será visível: Ele “descerá do céu com um grito, com a voz de um arcanjo e com a trombeta de Deus” (1 Tessalonicenses 4:16). O Apocalipse declara que “todos os olhos O verão” (1:7). Isso não soa muito secreto, soa? O pastor Doug escreveu sobre isso em Anything But Secret, observando: “A teoria do arrebatamento secreto foi concebida para embalar o povo de Deus em uma falsa sensação de segurança e prepará-lo para esse engano final”. Leia o restante aqui.
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