Quando um ateu não é ateu
Quando um ateu não é ateu? Resposta: Quando se autodenomina cristão.
Confuso? É compreensível, mas há uma explicação. Uma pesquisa multinacional recente com ateus, agnósticos e outros “não crentes” revelou que, em seis países, incluindo os Estados Unidos, uma porcentagem significativa das pessoas que afirmam não acreditar em Deus ou em qualquer outra divindade também dizem se identificar como cristãs. Acadêmicos de vários departamentos de quatro universidades britânicas se uniram em uma pesquisa de quatro anos intitulada“Understanding Unbelief” (Entendendo a descrença), financiada por uma bolsa da Fundação John Templeton.
Na Dinamarca, esse número chega a 28%, enquanto no Brasil é de 18%. O Reino Unido vem em seguida, com 15%, seguido pelos Estados Unidos, com 12%. China e Japão completam a pesquisa com 7% e 1%, respectivamente. (Oito por cento dos ateus japoneses se identificam como budistas, revelou também a pesquisa.)
Eles confiam no karma
O estudo também revelou alguns outros dados interessantes: para um grupo que, por definição, professa não acreditar no sobrenatural, grande parte das comunidades “incrédulas” nas seis nações pesquisadas afirmou acreditar também na vida após a morte, na reencarnação ou na astrologia. Entre 15% e 50% dos agnósticos e ateus pesquisados afirmaram acreditar que existem “forças subjacentes do bem e do mal” no mundo, enquanto entre 10% e 40% dos pesquisados de ambos os grupos afirmaram acreditar no karma, um princípio espiritual de causa e efeito em que“a soma das ações de uma pessoa nesta e em estados anteriores de existência [é] vista como determinante de seu destino em existências futuras”.
Os números para a “população em geral” nos seis países variaram bastante: amplias maiorias em cinco das nações (excluindo o Japão) afirmaram acreditar na vida após a morte, mas apenas a China liderou no apoio à astrologia. Um padrão semelhante entre a população em geral foi observado nas medições de crença nas forças do bem e do mal, revelou a pesquisa: China e Japão ficaram na parte inferior, enquanto as outras nações expressaram altas porcentagens de crença nisso.
Uma explicação? “Embora ‘crença’ e ‘descrença’ sejam normalmente usadas em relação a Deus (ou deuses), há muitos outros seres e fenômenos sobrenaturais cuja existência é acreditada por porcentagens substanciais da população em geral. Logicamente, a descrença em Deus não implica necessariamente descrença nessas outras coisas”, afirmou o relatório da pesquisa.
Além de comparar a porcentagem de descrentes que aderem a uma determinada teoria com a população em geral, a pesquisa não chegou a conclusões específicas. Não há aqui um veredicto sobre se acreditar ou não em karma ou astrologia torna alguém menos ateu. O que a pesquisa mostra, no entanto, é que é vital identificar — e compreender — os tipos de descrentes no mundo e que generalizá-los levará a equívocos e à exclusão de pessoas: “Como estudos anteriores demonstraram, muitas pessoas que são, de fato, ateias ou agnósticas não optam por se identificar, nem principalmente nem de forma alguma, por esses termos”, escrevem os autores do estudo.
Também parece que os não crentes não são tão dogmáticos quanto se poderia esperar em relação à sua descrença. De acordo com a pesquisa, “ao contrário de algumas suposições populares, ser ateu não implica necessariamente um alto nível de confiança ou certeza nas próprias opiniões”. Todos os ateus dos nossos seis países expressam níveis gerais de confiança em suas crenças sobre a existência de Deus que são notavelmente mais baixos do que (Brasil, China) ou amplamente comparáveis aos (Dinamarca, Japão, Reino Unido, EUA) da população em geral. Por exemplo, o nível comparativamente alto de confiança exibido pelos ateus americanos corresponde mais ou menos exatamente à alta ‘confiança religiosa’ dos americanos em geral.”
Preenchendo aquele “vazioem forma de Deus”
Em certo sentido, não é surpreendente que uma porcentagem de não crentes se identifique com uma determinada fé. Às vezes, a identidade religiosa é atribuída pelos pais ao nascer e é muito trabalhoso mudá-la. (Em alguns países, renunciar à identidade religiosa pode estar repleta de desafios na vida real, como testemunhado pelo assassinato, em 2015, de um blogueiro ateu em Bangladesh.)
Existe um vazio em forma de Deus no coração de cada homem.
Enfrentar o desafio do ateísmo e do agnosticismo — ajudar essas pessoas a preencher esse “vazio em forma de Deus” — talvez seja um pouco mais fácil quando percebemos que grande parte desse grupo demográfico pode, na verdade, acreditar em algo, e isso poderia ser o ponto de partida para uma discussão.
É possível que os incrédulos encontrem a fé! O pastor Doug Batchelor compartilhou sua história de ter vindo de um ambiente não cristão e ter encontrado a fé enquanto vivia em uma caverna. E, em 2007, Deus usou esse testemunho para alcançar Santosh, um indiano criado em um lar de religiões mistas, mas que era ateu.
Um recurso útil para compartilhar é a apresentação do pastor Doug intitulada“Você pode provar que Deus existe?”. Trata-se de um esboço fundamentado e baseado na Bíblia sobre como compartilhar a fé, e também pode ser a porta de entrada de que um não crente precisa.
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